Perdição em Paris: O BHV Marais

Oi, minha gente!

É com orgulho “ao rés do chão” do meu ser, que eu vou te contar a minha primeira ida ao BHV Marais aqui em Paris. “Oxe, porque, fia?” cê pode pensar. Porque minha amiga e meu amigo, eu chorei… Eu chorei descaradamente que nem uma bocó entre a bancada das aquarelas e da decoupage. Segura o zói aí pra ver parte, um pouquinho só, do que é o lugar.

Pois bem. Tô eu há alguns meses organizando a vinda pra Paris. Eu e marido viramos moradores temporários deste lugar incrível há pouco mais de quinze dias. Enquanto isso, uma amiga querida me sugeria onde comprar material, pois já tinha decidido voltar a desenhar. Não deu outra. No início da segunda semana aqui, ainda cheia de coisa pra organizar, fiquei toooda assanhada pra bater no tal BHV Marais. E bati.

O BHV é o Boulevard de l’Hotel Ville um centro comercial, cheio de andares que reúnem inúmeras lojas, serviços e marcas em um lugar só. Foi desmembrado em outros centros como o BHV Homme só pra os boys,  um outro só pra vinhos, outro só pra motos. Fica bem ao lado da prefeitura de Paris, o Hotel de Ville, por isso o nome. Também está no, já muito querido por mim, bairro Marais ou “Marré” (Tá ligado que tudo aqui ganha agudo no final, né? Eu, Eva, virei Evá, o suco Tropicana é Tropicaná, a Ikea e Ikeá) Então, voltando. Logo depois do almoço pegamos o metrô e rapidinho chegamos no Hotel de Ville. Marido, que veio estudar direção de fotografia no cinema correu pra exposição da Magnum que tá rolando por aqui. E eu, olhei pra frente e fui tomada por uma áurea mágica…Invadindo todo o meu ser. Tu sabe a abertura dos Simpsons? Têm aquelas nuvenzinhas abrindo e a musiquinha do tipo “Jezuizz, me receba!” Então, a onda começou a bater. (Imagem do site do BHV).

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Entrei e logo no andar térreo é uma enxurrada de marcas de roupa, perfume, maquiagem, acessórios e tudo, tudo pra mulherada. Passei que nem vi. Fui vendo que pra sair dali ia dá trabalho, era gigante. Mas tinha sinalização sobre cada andar e gente simpática pra te mostrar a saída. Tanto por escada, escada rolante ou elevador. Vi que os segundo, terceiro, quarto andares e o sub-solo seriam a minha perdição. O quinto era de brinquedos e lingerie e o sexto, restaurantes. Corri pro elevador que já tava saindo e nem vi pra onde ia, quis cair onde ele parasse pra poder conhecer tudo. O bendito caiu logo no quarto andar onde tem móveis e outros artigos de casa como luminárias liiindas. Caía dura e me recompunha rapidamente, não era hora de pagar mico ali. Mas um arzinho, mínimo, começou a faltar diante de tanta coisa linda.

Fiquei passeando e desci pela escada rolante, pra o terceiro andar e de cara, caí em cima das porcelanas. Um andar giganteeeeessco entupido, abarrotado de todas as lindezas que a gente vê pela net em projetos. Sejam os projetos criativos, sofisticados, fofis, mais simples ou divertidos. Tudo minha gente, tudinho ali! A respiração começou a pegar, ficar mais rápida quando vi porcelanas lindas que me lembraram o pequeno Zip do “A Bela e a Fera” um dos meus filmes preferidos da infância! Zip é aquela xícara-menino fooofa de viver, tenho um treco até hoje quando vejo. É. Porque até hoje ainda paro pra ver A Bela e a Fera. Além de porcelana fofa, muita coisa do fun design que adoro!

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Saí dando tchau pra Zip, tooda languida e topei com a parte de festas! Jarros e potes de vidros fofos, os mason jars, canudinhos coloridos e tudo mais pra uma festa fofa e vintage.

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Saí da festa grogue e nem lembro qual direção tomei, só sei que tcharammm.. A miseravona, ela, a danada da Kitchen Aid com tooodos os produtos bem ao lado! Cada cor mais linda que a outra, cada eletro que até quem não cozinha se apaixona!! (Eu pegaria a verde.. e tu ficava com qual?)

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A essas horas eu já tava com uma taquicardia branda, confesso. Mas ó pra isso? Ok, era também pelos preços. Algumas coisinhas lindas dessas não custavam menos de 600 euros #Assimmainhashora.

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E falando disso de preço, no BHV dá pra levar muita coisa sim. Tem preços acessíveis. Mas não é o melhor lugar pra comprar as tradicionais lembrancinhas pra amigos e família. Ao menos pra gente, bolsistas. Pra lojista, comprar pra revender, também não vejo vantagem. Mais uma vez, ao menos pra mim, vendedora pequena, miudinha. Depois das análises financeiras e já com a mão suando, a taquicardia aumentou quando cheguei lá no fundo e vi a linha retrô pra cozinha. Ai, jezuizz, prepara a cama aê… Ó pra isso, ó pra isso? Típica decor retrô Parisiense! Pra cozinha, pra área de serviço, pra mesa! A essa hora eu sorria amarelo, misto de euforia e paranoia, querendo tudo pra mim, querendo uma loja que vendesse assim no Brasil, sem saber por onde começar, olhando pro lado procurando alguém caso caísse ali durinha! Ai, mamita querida!

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Ainda embasbacada passei por mais produtos e não sabia se xingava essa loja miserávi que queria me enlouquecer ou se levava meu colchão, minha meia velha e ia morar lá. As formas de bolo só faltaram falar comigo de tão perfeitas. Os famosos copinhos que são uma febre e produzidos por aqui, parecem de plástico amassado, mas são em porcelana. E a Le Creuseut me faz mini chaleiras pra portar sachês de chás e quer que eu saía normal daqui depois de tanta fofura…

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A perna já tava bamba de caminhar entre os vales coloridos dos utensílios de cozinha quando vi um grupinho amontoado numa bancada. Onde tem gente, tem coisa. Era um japa rapidinho fazendo comidinhas pra demonstrar o poder de uma panela high tech. Mas nenhum sinal de comida pronta. “Droga” pensei. Tava fraca, precisando de forças pra continuar pelo vale da perdição. Faltavam mais andares!

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Resolvi sair dali, já que comecei a olhar pras tiazinhas e ver Palmirinhas fofas que eu queria apertááá. Já tava emotiva por demais. Antes de descer pro segundo andar, topei com a parte da cozinha toda em madeira. Loucura, meu povo, loucura… Haja serenidade…

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Dessa vez desci de escada mesmo, precisava gastar aquela energia, ver mais gente, dividir a angústia do meu peito sofredor. Queria tudo pra mim, queria dá tudo de presente, aquela agonia e fui descendo rápido, já meio suada, mesmo com -1º lá fora. Fui descendo, descendo e cheguei no andar do artesanato, DIY, artes manuais, belas artes e material pras tais. Vinha nessa sofrência, franzindo a testa, ouvindo internamente os primeiros acordes da musiquinha dos Simpsons e quando olho pra cima…Ai..ai Deus, valeimenossasenhoramãedocéu…de..dec..decopa…

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Não conseguia ler mais. Fui girando em 360º, olhando em volta, não via o fim do bendito andar, só material, material, era tinta, papel, tesoura assim, assado, cortador X, molde Y… Minha boca abriu, não conseguiu fechar. Ia flutuando entre as prateleiras abarrotadas de tudo que a gente mais gosta, tudo, tudo…Vi gatinhos e letras em papel. Aí a boca fechou, apertou na verdade. Fiquei com um risco no lugar da boca, de tanto que apertava, a respiração… Que respiração? O olho começou arder, embaçou e eu sabia que a água ia rolar. Pedia a Deus que ninguém falasse comigo, se não era capaz de pedir o ombro, mas me surge uma atendente simpática e educada da área do lápis aquarela, olhando pra mim e me solta um “Bonjour” amigável e doce! Balancei a cabeça com um “Simmm” frenético sem nem ouvir o que ela falava e toinnn, a lágrima caiu! Meu mico tava pago em plena Paris. Chorei pra vendedora de aquarela.

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Ela sorriu e deve ter pensado ” Oo tadinha de fiá, uma jequinhá” Mas minha gente, eu nunca tinha visto tudo que mais amo reunido em um só lugar, de vez, mereço um desconto, não? Ainda conversei com a mulher, com o nariz querendo escorrer, fungando, com uma mão na cintura e a outra alisando a testa, fingindo não ter vergonha, tipo ” Pois é, né menina, é a vida e tal..” Mostrei a minha lista de material pra desenho, aprecei e segui, crente que tava recuperada. Até que topo com balcões da Cath Kidston que me faz um linha de coração. Justo coração???? Minha forma preferida e meu órgão mais sensível? Oooo mon dieu!!

Ali ao lado, uma menininha esperneava, chorava e a mãe dava um sermão muito comedida, achei. Olhei e pensei que devia tomar vergonha na cara. Como assim, a menina devia ter seus 3, mas eu tinha meus 30! Com este sermão que eu mesma me dei, engoli o mimimi e saí guiada por passarinhos, segurando meu vestido enquanto eu sorria felizzzz!

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Atrás das coisas da Cath ainda tinha o mundo dos livros, agendas, caderninhos e cadernetas! Encontrei um caderninho de uma marca fantástica que me lembrou os livros antigos e o diário que a minha mainha tinha quando jovem, com um fecho e tudo. Tá, tá, segurei, num saiu nada desse zoião que Deus me deu, te juro. Ficou só na goela 😀

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O passeio pelo segundo andar terminou faltando muita, mas muita coisa pra ver. Já tava descabelada, suada, borrada e ainda faltava o subsolo, o lugar da verdadeira bricolage européia (Falei disso na minha palestra do Conacade, foi massa!) Fui pela escada comum, era capaz de me enrolar da rolante, tava zonza demais. Aí, meu povo, a bagaceira pro coração dessa que vos fala foi grande. Acaba logo, me mata e me deixa aqui, pronto, num guento. Dou de c-a-r-a com toooda linha de ferramenta da Makita, Bosch e outras marcas. Além disso, caí, levantei, caí de novo, levantei com os azulejinhos! São famosos (e caros) e fofos! Quis montar A-t-e-l-i-e-r-c-a-s-a-d-e-m-a-r-i-a e ir à falência.

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E o que falar disso aí? Dessa foto agora? Heinnn? Desse taaanto de pé de móvel?? Consegui contaminar os amigos com a minha sofrência: Aneenha e Léo pirarammm de amor! Mas verdade seja dita, não tinha nenhum pé palito tão querido quando o nosso brazuca da Casa de Criação <3

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Eu já tava acabada, mas querendo ser forte, estilo “final de E o vento levou” e meu coração ainda reagia. Reagiu com essas torneiras lindas, com a tecnologia do aparelhinho que avisava por celular como tava nossa planta. Ok, muito moderno pra mim. Com a tonelada de spray e outros produtos pra madeira e com as formas móveis pra sapato que me fez lembrar de painho e vovô em seus tempos de sapateiros.

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No subsolo não vi outra mulher além de mim. Tudo muito calmo. O BHV realmente não é um centro tão procurado. Já li que ele era considerado o “primo pobre” de outros centros como o Printemps e Galerie Lafayettes pois pertence ao mesmo grupo de empresários. Que era feio, desorganizado, gente mal educada comprando e vendendo.. Não vi nada, nadica disso. Ó, de boa? Não vejo graça nenhuma nesses outros a não ser a decor e arquitetura. São lojas de grifres e marcas de roupas por todos os lados e um mundo de gente de sacola. Nunca consumi grife no Brasil, porque agora, estilo estudante ainda por cima, ia consumir aqui em Paris? Eu não sei, talvez seja essa mania de achar que Paris é só glamour o tempo todo que pode deixar a coisa chata, sabe? Morro de preguiça. Ainda bem que Deus foi generoso conosco nos dando a chance de viver por um tempo confortável neste lugar pra poder ver o que ele tem a mais, o que tem de melhor. E pra mim, sem dúvida, não são as grifes. E mesmo podendo consumir pouco o que eu gosto, nada é mais rico que acumular um bem que ninguém nos tira, o conhecimento.

O passeio terminou comigo com a língua pra fora, o rímel borrado, o coração merecendo emoções mais leves, uma cabeça cheia de informação e apaixonada pelo BHV. Já era noite, afinal, foram mais de quatro horas lá dentro. Encontrei marido que saía da exposição da Magnum com o olho arregalado, cabelo pra cima dizendo que foi a coisa mais linda do mundo, que ele se emocionou e… É, é meu marido mesmo, né? 😀 A gente ainda passeou pela praça da prefeitura onde barraquinhas, carrossel e uma pista de patinação no gelo divertem todo mundo.

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E eu ainda não quis me aventurar na patinação? Mas só fiquei querendo, ahh depois te conto essa fofoca. Foi mico demais pra um post só!

Um beijo, amurisss!

 

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Ana Medeiros
É a neta de D. Edite. Ana comanda o #ACQMVQ e vive diariamente decorando aqui e ali. Trabalha home office produzindo conteúdo para o blog e outras empresas das internetes. É mãe de dois pioios lindos, ama comer, desaguar nas palavras, e não dispensa uma caipirinha no fim de semana. Sabe que ser livre também é perder o controle, que morar é mais do que habitar e que um abraço apertado é melhor que banheira de ofurô.
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25 Comentários

  1. Morrendo em 3,2,1 pofte! Tô indo em maio, mulher! Como é q tu faz um post desses? Ferrouuu 😛 faliiiii hahahah Invejinha de vc 😉 Amei a dica! Obvio q já me vejo ai sentindo o mesmo siricutico q tu 🙂

    • @Bella Lanzillo,

      Mulherrr tu tá vendo?? Não tem como sair normal desse lugar aí, não, bicho, sério! Aproveita que tu vem e passa um tarde lá, moça! Olha bem e no outro dia tu compra, pra não pesar no bolso hahaha Eu já voltei lá 5 vezes, tu crê? E só hoje peguei um item que queria. Um beijão, que bom que gostou!

      • @Eva, kkkkk imagino o desespero! Eu fico até sem ar de tanta emoção 🙂 Uma loucura! Vc já foi no ” Bon Marché” sabe me dizer sobre os preços e as coisas fofas? kkkk pq vou ter q escolher entre sua dica e ele 🙂 Se puder mostrá-lo aqui vou amar <3 Ainnn aproveite muito!! Sortuda! Bjão

    • @fernanda,

      Mulher, eu saí perguntando isso, te juro! Mas três funcionários não souberam me dizer direito e depois disseram que não. Achei estranho, mas aí tá mais uma desculpa pra voltar lá! hahaha Confirmando, te aviso por aqui. Um beijo, que bom que gostou!

  2. Eva, eu me imaginei lá pelas suas palavras. Você escreve muito bem.

    Imagino que eu choraria também, sou manteiga derretida como você, choro até em comercial.

    Ah vontade de ir a Paris ver de perto isso tudo.

    • @Iris,

      Eiiita, Iris, então a gente é do time da manteira, tem jeito não, né? Não seguro choro não, sério. Deu vontade, sai hahaha 😀
      Muiiito obrigada, viu? Fico feliz demááás por ter gostado!
      Um beijo!

    • @Giselle,

      Ooo Giselle, oo moça, oo mulher! Muiiito obrigada, viu? Eu só consigo escrever assim, informal, num tem jeito! E a gaiatice é mais forte que meu ser!
      Fico feliz que goste, demáás!
      Um beijão!

  3. Amei essa matéria.
    Quando eu morei em Paris, a BHV foi a primeira loja que minha me levou para conhecer. Fiquei assim, exatamente igualzinha a você, com “taqui-cardia” quando entrei a loja.
    Depois disso, ela virou minha loja preferida e todas as vezes que vou à Paris, tenho que passar por lá.
    A matéria me trouxe boas recordações do meu tempo em Paris… Ah, Paris!
    Sucesso sempre!
    Beijo

  4. Taquicardia pouca é bobagem! Essa loja deixou Torre Eiffel pra trás. Amei o texto e as fotos. Não sei como vc teve cabeça pra escrever depois dessa experiência. É muita coisa linda pra descrever, é muito sentimento pra dar conta. ôxi, arrasou!

  5. Eva,
    Que loja linda, apaixonei, quase morri também. Se for ao vivo saio de ambulância.
    Essa loja precisa de setinhas no chão igual IKEA, prá gente poder sair daí.
    E pelo que vi, o preço tá bom, o copinho Le creuset aqui na Espanha tá 10-12 e se for com as bandeiras chega a 15 euraços fácil. Aproveite sua estadia, que seja muito abençoada.
    Ah, não sei se te falaram, mas maio, tem o dia do museu. Nesse dia a entrada aos museus é “gararátiss”.Alguns museus mais caros vale a pena esperar, vc economiza e vai de compras na BHV …rsrs…Besitos

  6. Ainda em estado de choque depois de ver essas lindezas!!! gente quando sai o próximo voo para Paris mesmo? rsrsrs

    Ai tô fascinada com essa loja!! realmente é de falir qualquer tio patinhas!!!

    Beijos adoro seus posts!! Assim como adoro o blog!!!

  7. Esse post é um sofrimento! hahaha Primeiro que nem dá pra correr em Paris amanhã pra conferir tudo de perto, Eva! Socorro! Eu amo essas coisas divertidas! Com certeza que ia inventar um chá Bela e a Fera como desculpa agora pra comprar uma xícara dessa. Menina, como pode tanta coisa legal junta??!?!?!?! Eva, fala pra eles abrirem uma loja no Brasil que só tem gente linda e de bom gosto aqui! Fala!!!! 🙂

  8. Amei tudo, já tinha passado em uma loja dessas uma vez em Cingapura, mas lembro que estava com a filha pequena chorando no carrinho e não consegui aproveitar muito rsrs.

    Mas fiquei com vontade de ver suas comprinhas, ou vai me dizer que saiu de lá sem nadicadenada? Impossível, só se for alguém muito elevado espiritualmente! kkk beijos, parabéns pelo post!!!

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