Por que temos preferido os encontros com os amigos em casa?

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Tenho me questionado muito sobre o que anda acontecendo comigo nos últimos meses. Em algum momento achei que o pós pandemia me levaria pra uma retomada consistente da minha vida boemia. Sou “ruêra”, como diz minha mãe. Noturna, comunicativa, adoro dançar. Amo a companhia dos meus amigos protagonizando cenas hilárias em festas e showzinhos nos nossos lugares habituais do Recifinho e nos bares da cidade alta em Olinda. Raramente você me encontrará em algumas dessas situações querendo voltar pra casa.

Passei um tempo tentando entender o que estava rolando comigo e continuo me questionando: seria o luto pelo fim do meu relacionamento? Estava com ansiedade e pânico? Perdi a habilidade social? Em minha rotina sempre coube o momento de desligar da rotina e espairecer pela madrugada, mesmo quando meus filhos eram muito pequenos. Mas fiquei 2022 reclusa, literalmente reclusa…senti dificuldade até de ir a casa da minha irmã, que fica a 3km da minha.

Sendo honesta, puxando pela memória, dei-me três “vales night”: Um em Abril, outro na noite de São João e mais um em meados de Setembro. Foi isso. Corta pra 2023, na semana do último carnaval, constatei que não me divertia há 5 meses. Não foi saudável, não pra mim.

Olhando por outra perceptiva após conversa com amigos próximos, uma saidinha de casa tem custado caro. Você pondera sabendo que qualquer valor pode fazer diferença nas suas compras no supermercado, e então entramos em outro ponto: Será que pra ter um tempo de qualidade com meus amigos tenho realmente que pagar financeiramente por isso? Ter uma conexão genuína e gratuita, como quando éramos mais novos e tínhamos essa garantia durante o recreio da escola, se perdeu? Quanto mais assumimos tarefas e responsabilidades pra ganhar dinheiro, mais essa sensação diminui, mais nos afastamos. Temos optado por encontros em casa, no chão da sala, na varandinha, no quintal. Investimos a nossa energia e certa intimidade que já possuímos com um ciclo de pessoas queridas, em vez do nosso dinheiro com Uber, ingresso, alimentação e bebida alcoólica que nos lugares custa três vezes o preço das prateleiras.

A maioria das minhas memórias favoritas com amigos adultos são aquelas que nossas vidas cotidianas se encontraram sem nenhum glamour. Quanto mais trago-os para perto de mim, para a vida que tenho, com honestidade, mais eles me devolvem confiança. Um tipo de satisfação nos preenche, os vínculos se fortalecem e a “risadagem” corre solta, deixando nossos encontros muito divertidos.

Não pretendo passar mais um ano tão sozinha, quero encontrar o ponto certo entre a preguiça social e a necessidade de diversão, contemplar uma Ana festiva que também habita esse corpo e precisa muito de um respiro de farra. Mas presto atenção e questiono movimentos sempre que passam do ponto e estou mais atenta ao leque de opções de atividades que tenho e minha disposição.

Que possamos encontrar um equilíbrio. Exercitar e aplicar nossa capacidade social nos espaços que nos fazem bem, com as companhias das pessoas queridas e das que possam chegar trazendo boas surpresas. Usar a energia que extraímos de todos os nossos encontros anteriores, as lembranças daqueles bons tempos, para que mesmo respeitando o nosso próprio movimento, possamos nos comprometer e renovar a vida de sociabilidade e afetos mútuos.

Como tem sido pra você? Me conta?

Imagem: Depositphotos

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É a neta de D. Edite. Ana comanda o #ACQMVQ há 15 anos e vive diariamente decorando aqui e ali. Trabalha home office produzindo conteúdo para o blog e outras empresas. É mãe solo, escritora, empreendedora e pesquisadora dos jeitos de morar. Atualmente está debruçada sobre como a nossa criatividade pode tornar os nossos lares verdadeiramente afetivos.
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