Nem sei como a Marcinha chegou na minha vida. Se foi indicação, se foi alguma matéria em que apareci falando do meu trabalho. O que importa mesmo é que ela chegou em minha vida e não saiu mais. Márcia é uma arquiteta brilhante e o primeiro contato que fiz com ela foi através de um trabalho para um cliente em que ela nos convidou à participar organizando toda a residência de um senhora. Depois disso mantivemos contato, sempre nos encontrando pelos caminhos da arquitetura e organização, que andam juntinhos. Ela é dessas arquitetas que não faz cenário não! As casas por onde ela anda, ficam funcionais. Ela pensa em tudo. Conta a quantidade de cabides. De pares de sapatos. Para que no projeto caiba exatamente o volume existente de todas as coisas, e a gente não fique na peleja, coisa que normalmente, alguns arquitetos que trabalhamos em parceria, amam fazer. Criam cenários lindos, mas nada funcionais. A gente se dana pra fazer caber tudo, e de forma linda hein? Senão reclamam da gente! Coisas da vida urbana!

Ela perdeu o amor da vida dela para um câncer e nós fomos lá ajudar a esvaziar o apartamento, atendendo a um pedido sofrido dela. E continuamos nos esbarrando pelo caminho, até que descobri que ela estava morando na minha esquina. Não desgrudamos mais!

Ano passado recebi um novo SOS. Precisava dar uma geral no apezinho lindo dela porque queria retomar a carreira de arquiteta freela, já que a coisa no trabalho estava ficando “esquisita”como foram quase todos os trabalhos em 2017, e o home office que ela criou, abrindo o quarto de empregada para a sala, estava uma zonaaaaaa e não dava nem pra sentar e produzir. Fui lá dar uma olhada e ver o que poderia ser feito! Genteee, choquei! Que AP fofo, lindo, delicioso, mínimo, mas de um bom gosto que só Jesus! Passaria meses lá fotografando detalhes e em todos eles uma história diferente.

Ela aproveitou todos os mínimos espaços. Todos mesmo. O AP tem só um quarto. O outro, de serviço, como eu disse, virou um home office virado pra sala. A cozinha também foi aberta pra sala. Tem uma varandinha delícia com plantinhas, quadrinhos e cadeira pra apreciar a vista e curtir o ventinho que sopra. Tem muitos quadros na parede, coisa que amo! E tem uma coleção de casinhas, sim casinhas, esculpidas em pedras, madeira etc, trazidas por todos os lugares do mundo e do Brasil por onde ela passou e por onde os amigos foram e lembraram dela. Tem coleção de cadeirinhas no home office também. E tudo, tudo se transforma na mão dela. Uma moldura antiga emoldura um coelho que parece ser de louça. Uma coisa contextual, bem Alice no País das Maravilhas. Tem a luminária original da década de 60, eu acho, onde o botão de acender é o pintinho do menino. Aff, era muito detalhe para dar conta e vcs vão ver que não estou mentindo. As fotos são a prova!

A marcenaria dela foi muito bem planejada. Aliás o expertise dela na minha opinião, é a marcenaria. Ela arrasa nesse quesito. Soube aproveitar cada cantinho da casa dela com maestria. Atrás da porta do quarto fez um armário com uma profundidade menor, exclusivo para bolsas. Sob medida, incrível! E no corredor, tinha um nicho inutilizado, que ela encheu de prateleiras, e transformou numa sapateria ótima para os “trocentos”pares que ela tem. Desnecessário isso viu? Reclamei com ela desse excesso.

A organização que começou no home office, se estendeu para o arquivo pois tinha muita coisa para eliminar e outras tantas para arquivar direito, chegou até a área de serviço onde ela projetou uns armários para guardar louças, roupas de cama e mesa e outras coisas menos utilizadas, mas um lugar que só magro habita sabe?  E eu com o meu corpitcho abundante, tive que rebolar para caber naquele espaço mínimo. Mas vou te falar? Demos altas gargalhadas nesse espaço mínimo. A intimidade tem dessas coisas, a organização vira uma festa e a diversão é garantida! Eu no alto da escada, ela embaixo me dando aquele apoio e a gente perdendo as forças de tanto rir e falar besteira. De vez em quando faz bem sabe? E eu que sou uma pessoa séria, acho que até demais, perco a linha de vez em quando. Necessário!

No meio desse trabalho, aconteceu o previsto. Marcinha foi demitida do trabalho bem como toda a equipe de arquitetura por conta de contenção de despesas, coisas que 2017 não nos deixou esquecer! Mas essa organização foi perfeita! Momento exato: limpar, enxugar, descartar, organizar e padronizar para só então, fazer acontecer. E não é que os orçamentos para novos projetos começaram a pipocar???? Só desejo coisas boas pra essa garota linda, dos olhos claros e bom gosto ímpar. Avante garota!

Beijos e até a próxima! E quem quiser conhecer um pouquinho da minha arte, do meu mundinho, é só acessar: www.atelieordenar.com

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