Trabalhar em casa com filhos: A minha experiência (Parte 2)

Como no primeiro post dessa “série”, hoje vou contar um pouquinho mais da minha história trabalhando home office. Agora falo sobre a segunda fase dessa experiência e espero que possa motivar quem deseja o mesmo. É meio dramático, bem vida real, mas tem um final legal, prometo, hahaha.

Como diria o Chicó, personagem do querido Suassuna: Não sei,  só sei que foi assim…

Depois daqueles quase dois anos iniciais da minha vida de mãe-blogueira-empreendedora, eu e o Leo decidimos que queríamos ter uma vida mais equilibrada, pelo bem da nossa família e alegria geral da nação pernambucana (Leia-se: Minha família das bandas de cá). Saímos do Rio de Janeiro com a ideia de que trabalharíamos firme e forte com o Estúdio Cereja até ele render uma graninha que desse pra pagar as contas, enquanto isso o Leo continuaria trabalhando na empresa de móveis de sempre, que estava abrindo uma filial em Recife, ou sei lá, iria pra outra loja, porque com a experiência que ele tem no ramo, nunca havia faltado emprego.

Nos mudamos pra Pernambuco em Fevereiro de 2012, na mala trouxemos apenas as nossas roupas e outros objetos pequenos, já que trazer a mudança de verdade custaria mais caro do que tudo que já tínhamos comprado desde casados,rs. Ficamos umas duas semanas na casa da minha irmã e outras duas semanas na casa do meu pai, depois achamos uma casa e nos mudamos com quase nada. Mobiliamos com o basicão usando uma parte da rescisão que o Leo tinha recebido.

Fiquei trabalhando com a loja online e com o blog, marido acabou arrumando um emprego numa cidade próxima de Gravatá, interior que moramos. Quando chegava no comecinho da noite, tomava um banho, jantava e me ajudava emoldurando os pôsteres e fazendo embalagens, foi uma época que trabalhamos muito até tarde da noite.

Vinícius já estava na escola e todas as minhas tardes eram pra focar no trabalho, pela manhã cuidava do almoço, arrumava a casa, fazia a tarefinha da escola. Contratamos uma diarista duas vezes na semana pra ajudar com as coisas de casa.

home-office-2

Após um ano nesse “esquema”, cansei, tive um colapso, pedi pra sair. Conversei com a Anne, que trabalhava fazendo as ilustras dos posts que vendíamos na loja, com os outros colaboradores e também com a minha irmã, que nessa época também me ajudou com as entregas e emails da loja. Falei que estava esgotada, que não conseguia mais tocar a loja do jeito que estava (E isso envolve além de muito trabalho, um punhado de inexperiência) e depois de chorar compulsivamente por alguns dias, cheguei no meu limite e resolvi me dedicar somente ao #ACQMVQ. Empreender é muito difícil e crescer sem estar preparado pode ser o fim do seu negócio. Ah Ana, mas umas férias não resolvia? Eu tentei, mas o estresse me fez criar um bloqueio enorme com o Estúdio Cereja, coisa pra terapia mesmo.

Então passei mais um ano só blogando, e de certa forma o blog já tinha começado a ficar mais rentável. Consegui fazer umas campanhas com marcas grandes e a audiência também cresceu um bocadinho, a coisa começou a fluir.

Até que certo dia resolvi fazer esses dois posts, mostrando os adesivos que tinha colocado no armário que foi da vovó e na pia da cozinha, postei uma foto no instagram com os adesivos impressos e todo mundo pediu pra que além do arquivo, eu também vendesse, já que muita gente não tinha como ir até uma gráfica ou não conhecia um lugar que fizesse a impressão com boa qualidade.

Comecei imprimindo os adesivos e enviando para as leitoras, até que a coisa ficou difícil de administrar e então abri a loja online, somente com eles, facilitando também o pagamento com cartão de crédito. Surgiu a ideia de montar uma loja do blog, com coisas que tínhamos na nossa casa e também com outras que nós pudéssemos fazer, e aí sim, começou a brincadeira boa de verdade, e que é mais ou menos a nossa atual época, vou detalha-la melhor  em um próximo post.

Como nunca tivemos muito juízo e somos entusiastas do “Se nada der certo a gente vira hippie ou vamos ralar em qualquer outra coisa”, o Leo pediu demissão de onde trabalhava e ficamos focados em criar conteúdo pro blog e produtos pra loja. Nessa época tudo ficou mais fácil, porque além de dividir os trabalhos online, também dividíamos os trabalhos com a casa e com o Vinícius. Eu ficava com os emails, postagens e uma parte da embalagem. O Leo cuidava da produção, fornecedores, a outra parte das embalagens e entregas/postagens nos Correios. Ele também começou a escrever aqui no blog e se descobriu blogueiro, haha. E era isso, tudo muito dividido entre nós dois.

Então engravidei do Bernardo, e apesar de alguns dias não ter conseguido levantar da cama de tanto enjoo, continuei trabalhando até a véspera do parto, com 42 semanas. Ah, como eu não conseguia cozinhar, contratamos uma pessoa pra fazer o almoço todos os dias e assim foi até o fim da gravidez.

Na última postagem falando sobre essa jornada mui louca, vou contar pra vocês toda a vida pós Casa de Criação, a abertura da nossa loja física, a marcenaria, a mudança de casa, e aí sim, como fazemos hoje para administrar o nosso trabalho com a vida de pai e mãe (Com mais um bebê), marido e mulher, blogueiros e empresários, hahaha.

Eu só sei que ainda estamos no caminho, aprendendo diariamente com toda essa experiência e tentando melhorar sempre. As coisas ficam mais fáceis de um lado, mais desafiadoras de outro, e lá vamos nós, realizando devagarzinho os nossos planos com os pioios debaixo dos braços, na barra da saia. Essa foi a nossa escolha e estamos felizes por isso.

Só lembrando mais uma vez: Participamos do Conacade e contamos aqui um pouco mais dessa rotina, vale o play no vídeo.

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Ana Medeiros
É a neta de D. Edite. Ana comanda o #ACQMVQ e vive diariamente decorando aqui e ali. Trabalha home office produzindo conteúdo para o blog e outras empresas das internetes. É mãe de dois pioios lindos, ama comer, desaguar nas palavras, e não dispensa uma caipirinha no fim de semana. Sabe que ser livre também é perder o controle, que morar é mais do que habitar e que um abraço apertado é melhor que banheira de ofurô.
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10 Comentários

  1. Acho que tudo que acaba tendo um final ou continuação boa na nossa vida, requer passos no escuro. Parabéns, Ana e Leo! História inspiradora.
    xoxo

  2. Parabéns!!!! E Infinitamente Parabéns!!! Sua História nos cativa, cria uma esperança de que nosso sonho pode virar realidade, muiiito bom! Sem contar como é bonito de ver o companheirismo de vocês! Mais uma vez, Parabéns!!!!!

  3. Obrigada por tanta inspiração, Ana e Leo!
    Que o trabalho dedicado de vocês produza sempre excelentes frutos para sua família! Torço sempre por vocês!
    Um abraço.

  4. Ana,
    Muito inspirador tudo que vc tem relatado nesses posts.
    Eu to num momento de querer muito mudar de vida. Trabalho num emprego em multinacional que tem sugado até a ultima gota do meu espirito.
    Vc tem sido uma das minhas principais inspirações pra criar um blog, e o meu está no esqueleto no momento, sendo finalizado pelo webdesigner (www.feriaspermanentes.com.br)
    Eu sei que nao vou fazer dinheiro imediato com ele, e o objetivo não é dinheiro, mas só de olhar pra outras possibilidades já dá uma oxigenada imensa numa mente à beira da estafa.
    Obrigada por tudo que vc tem relatado e parabens pela garra. Sucesso sempre.

  5. Nossa, que post massa! É bacana saber um pouco mais da sua trajetória e ver como as coisas vão, aos poucos, se ajeitando.
    Beijo

    querendoserblogueira.blogspot.com.br

  6. Ai Ana, que legal ler o desenvolvimento na vida de vcs… Comecei a acompanhar o blog nessa transição do Rio para Gravatá. Eu tinha casado há pouco tempo e buscava inspiração pra decorar a casinha de um jeito baratex. Desde então venho sempre no blog… admiro muito a coragem e a determinação de vcs!

    Sucesso sempre!

    bjs

  7. Huauhsua… agora me identifiquei mais. O estresse que comentei na parte 1 me fez ficar com ódio do meu trabalho (sou publicitária e designer, trabalho com criação de sites e de identidade visual basicamente), cheguei a desistir do meu negócio dizendo que nunca mais trabalharia com isso! Que eu odiava, que não era vida, que eu queria outra coisa. Depois trabalhando dentro de agência só para conseguir ter dinheiro para fugir desse mundo.

    Até que a poeira baixou, comecei coach com uma profissional incrível, Elba Oliveira, que também era minha cliente e fazendo as sessões com ela por um lado, e trabalhando por outro, foi reencontrando o prazer do meu trabalho. E muito pela força dela, decidi testar mais uma vez empreender na minha área, só que em outra esquema, com outra organização e bom, faz pouco tempo que voltei, mas amo meu trabalho de novo e vi que era tudo mesmo questão de organização e da forma que eu encarava as coisas (me cobrando demais por um lado, sem saber como ganhar dinheiro por outro rs)

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