Sobre trabalhar home office com filhos (Parte 3)

Advinha porque esse terceiro e último post demorou taaaanto pra sair? Acertou quem penso na velocidade da luz: Ela não teve tempo.

Gente, pode parecer brincadeira, mas as vezes passo mais de uma semana pra responder uma mísero “uatisapi” das amigas. E não é descaso, a rotina não alivia. Muitas vezes é justamente por não querer sair do que está programado, agendado, por não querer deixar nada pendente com os clientes da lojénha. Enfim, não é por mal, eu acho que seria mais justo se o dia tivesse mais horas, mas enfim, vamos seguir o jogo…

E qual a minha realidade HOJE? Como faço pra conciliar o trabalho home office, meus filhos, minha casa, meu casamento, etc?

Vamos por partes, e se em algum momento esse texto parecer confuso, me perdoem. São muitos pontos que se misturam, trabalhar em casa é assim, rs.

Se vocês não leram o a primeira e a segunda parte dessa novela, leiam. Lá no primeiro post falei que hoje em dia já conseguimos ter um mini equipe: 2 funcionários na Casa de Criação + meu pai que quebra um super galho + um menino de 5 anos gente boa + um bebê de 1 ano super ativo e que dorme bem + Babá + diarista 2x na semana. Ah sim, precisamos integrar os meninos nessa “equipe” porque eles influenciam diretamente o andamento das coisas por aqui.

Então vamos falar de filhos e marido, antes de qualquer coisa.

E falando em filhos, também faz parte do nosso trabalho tentar fazer que pelo menos o mais velho entenda que se papai e mamãe não tiverem a compreensão dele, e confesso que muitas vezes é bem difícil, não conseguiremos honrar as nossas contas, fazer as compras, pagar a escola, o aluguel e por ai vai. Se tem uma coisa que aprendi quando uni trabalho e família é que as conversas entre todos precisam ser bastante francas e sinceras, mesmo que corte o coração.

Quando o Vinícius pede atenção em um momento altamente punk do meu trabalho, eu tento explicar pra ele que eu não posso sair, que não posso brincar, que não adiantar ele ficar insistindo, que ele precisa tentar se virar sozinho de algum jeito. É claro que muitas vezes ele reclama, não entende, fica triste, chora, mas além de realmente ser impossível pra mim, fico um tiquinho satisfeita em vê-lo fazendo algo sozinho e sendo uma criança desenrolada, penso que autonomia nunca fez mal na minha vida, só me ajudou a crescer, e que ele pode fazer do limão uma limonada. Um pouco cruel vez ou outra? Talvez sim, eu fico muitas vezes morrendo por dentro, mas realmente não posso atrasar um pedido ou deixar de cumprir uma obrigação. Explico o momento, digo que teremos “mais tarde uma horinha só pra nós” e tento encorajá-lo a fazer o que precisa. E ele não vai pra TV muitas vezes? Infelizmente sim, as vezes só um pouquinho, outras vezes a manhã inteira, e mesmo sabendo que isso é mesmo uma merda, eu ainda estou buscando alternativas pra lidar com esse tipo de situação.

E quando o Bê chora? Gente, o Bê quando chora, ele CHORA. É dramático, é birrento, grita, faz pirracinhas e escândalos. Logo no início eu ficava muito desesperada, mas como é algo que ele faz desde muito pitoco, fui aprendendo a lidar. Escuto, tento entender de longe e se for algo besteirol deixo que Lili resolva, se vejo que é algo mais sério, obviamente desço e fico um pouco com ele, brinco, acalmo. Não tem um única vez que eu não sofra pensando o que pode estar acontecendo, me sinto culpada outras vezes, mas respiro e tento ponderar os sentimentos confusos. Digo para todos que tenho muita sorte em ter encontrado uma pessoa extremamente paciente pra me ajudar, até mais paciente que eu. Lili tem seus defeitos, mas mantêm o controle em momentos difíceis com meu bebê.

Sem contar que pelo menos na parte da manhã, reverso com  Lili o cuidado com os meninos, sei que é muito cansativo ficar com o Bê a manhã inteira sem uma pausa, ele é uma criança super agitada, que não se concentra ainda em uma atividade por muitos minutos, e agora que anda, ele corre a casa inteira, haja fôlego. Também faço a lição de casa com o Vini nesse período, faço o café da manhã pra ele, etc.

Nos dias que tenho diarista é mais tranquilo, nos dias que estamos só nós duas, uma vai fazendo o almoço, a outra vai dando o banho, daí surge uma brechinha pra ir arrumando as camas, lavando os pratos, etc. As manhãs são cansativas, é o momento em que a casa fica muito agitada e muitas vezes eu corro (literalmente) de um lado pro outro.

Com o Leo a nossa relação de trabalho é muito boa, temos uma sintonia grande e dividimos as tarefas por “áreas”. Eu fico mais com a parte online e ele com a offline. Enquanto cuido dos pedidos, emails, divulgação, entre outras coisas, ele fica focado na produção, fornecedores, entregas, trabalhos externos, etc. A coisa flui muito bem dessa forma, e apesar de estarmos muito próximos (Eu no escritório em cima e ele na oficina no térreo), tem dias que nos vemos pouco, o que é uma coisa boa né? Ele também interrompe o seu trabalho pra brincar com os meninos, colocar um pouquinho no colo, trocar uma roupa, levar pra escola, etc. Como todo casal, é claro que temos nossas crises e também brigamos, mas raramente por causa de algo de trabalho, os motivos são mesmo pessoais e daí tentamos ao máximo separar as coisas, mesmo que estejamos nos odiando, haha.

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E a rotina, como fica? 

A minha rotina gira um pouco em função dos meninos, até porque quando um ou outro fica doente, adeus rotina. Mas se tudo tá andando tranquilo, ela é mais ou menos assim:

Entre 7:00h e 8:00 da manhã eu acordo (Esse horário depende do Bê também, ele já passou uns meses acordando as 05:00h), e quando Lili chega tomo meu café, me arrumo e subo para o escritório. Até as 10:00h respondo emails dos clientes, e se estiver um post esperando só ser concluído, finalizo-o e volto pra casa. Faço as tarefinhas de casa com o Vini e depois pego o Bê um pouquinho para brincarmos. Muitas vezes Lili me ajuda com o almoço, ela gosta de cozinhar e de certa forma é um momento em que ela descansa os braços e a coluna (hahaha), outros dias eu mesmo vou pra cozinha fazer o almoço. Lá para as 11:30 é hora de arrumar Vini pra escola, almoço em seguida, etc. As 13:00 deixo ele na escola e volto pra casa (Quando o Leo não pode ir). Geralmente volto a trabalhar no escritório as 14:00h. Ah, entrei no academia nesse horário, mas confesso que não consigo ir todas as semanas. É muito corre corre, Brasil!

A tarde geralmente tento ao máximo produzir conteúdo para o blog, mas mesmo com a ajuda da Jaci com as coisas da loja, acabo me envolvendo completamente também com a Casa de Criação, seja atendendo os clientes por email, finalizando umas coisas dos produtos, pesquisando novas inspirações para os próximos lançamentos, etc. Resumindo: Minhas tarde poderiam durar muito mais tempo que somente 3 horas (Das 14 as 17h), que é sim, muuuito pouco, tendo em vista que as vezes levo todo esse tempo pra fazer um único post.

Geralmente vamos todos buscar Vini na escola e chegando em casa começa todo o processo de banho-janta-colocar pra dormir. As 21h eles estão dormindo e aí eu e Leo vamos relaxar um pouco, vendo seriados, tomando uma cervejinha, lendo algum livro, etc. Quando realmente temos muito trabalho, voltamos para o batente, mas isso acontece raramente, muito raramente.

A loja física

Assim que o Bernardo nasceu decidimos abrir uma loja, sim, somos loucos. Ter um espaço físico onde eu pudesse me encontrar com as pessoas, sair de casa para trabalhar, fazer oficinas e promover o nosso trabalho unido ao artesanato local era um sonho. E apostei nele, sem medir a quantidade de esforço que ele iria me exigir. A nossa cidade é turística e o comercio é mais forte no fim de semana. A proposta apresentada pelo pessoal da linda galeria era encantador e tínhamos uma graninha guardada. Em dois meses abrimos a loja.

Foi um período difícil e ao mesmo tempo empolgante. Mas depois de já ter lido tudo até aqui, você acha mesmo que eu daria conta por muito tempo?

Por isso recentemente decidi fechar a loja física que tínhamos aqui na cidade. Você imagina aí toda essa rotina e ainda uma loja pra gerenciar, abastecer com produtos (Já que a maioria deles são criados por nós), etc.

Quero ficar com a minha família no fim de semana, e mesmo tendo Jaci lá, não conseguimos por exemplo, repor sempre o estoque. “Ah, e se vc contratasse um gerente?”, já me perguntaram isso. Gente, nós somos ainda muito pequenos, e sinceramente, não sei se queremos ser grandes. Preferimos investir em mão de obra na nossa oficina, onde as peças são produzidas e enviadas para o Brasil inteiro, do que gastarmos muitas energias em algo que não estava trazendo um retorno muito bom. Sabe toda a conversa encantadora do pessoal que nos alugou a loja? Foi uma furada.

Não me arrependo, foi uma experiência ótima. Também não tenho vergonha ou receio em falar que desisti. A vida é isso, e só vamos aprendendo batendo cabeça (mesmo seguindo um plano de negócios, acredite).

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O que mudou durante esse 5 anos de trabalho home office?

Obviamente que todo o apoio que temos hoje é indispensável para que a coisa flua. Imagine se eu não tivesse alguém pra me ajudar com o Bê como na época do Vini? Era tão mais difícil e cansativo. Imagina se eu também tivesse que cuidar da faxina da casa? Também seria complicado. Além de que sou extremamente alérgica a produtos de limpeza. E se eu ainda precisasse fazer todas as embalagens de pedidos (São mais ou menos de 30 a 50 pacotes por semana)? Certamente não sobraria tempo pra produzir conteúdo pro blog. Nós tentamos diariamente valorizar ao máximo todos que trabalham com a gente, porque sabemos o quanto são fundamentais.

Na verdade uma coisa leva a outra, porque se não movimento as redes sociais e faça divulgação, por exemplo, as pessoas não chegam até a lojinha. Se não produzo conteúdo pro blog, os acessos caem e o interesse dos anunciantes também, sem contar que sou viciada no #ACQMVQ e amo o meu trabalho.

Os processos ainda vão um pouco além. Se pensarmos em otimização de tempo, por exemplo, mudar hábitos e ser mais organizada também foi fundamental. Confesso que ainda não cheguei em um padrão top de gerenciamento de todas as minhas atividades, classificá-las ainda é um problema pra mim. Não me distrair fácil com leituras na internet ou interações com amigos em redes sociais, idem. Não sou muito disciplinada, apesar de ter uma auto cobrança enorme, que me leva até a ter algumas crises de ansiedade e estresse. Ainda assim, aprendi muito durante esse anos, o saldo não é tão ruim e as coisas estão prosperando. Ah sim, Leo é extremamente organizado, metódico e consegue manter uma rotina mais ajustada que a minha.Criar listas é a nossa grande salvação. Lista para o dia, lista para posts, lista para atividades com os meninos, lista para novidades da loja, listas, listas, listas, infinitas listas. Usamos o aplicativo Colornote no celular, ajuda e muito.

Sobre tudo isso…

Ainda estou aprendendo, essa é a verdade. Não me sinto apta a aconselhar ou tentar ensinar alguém a nada relacionado ao trabalho home office e o tal do empreendedorismo. Empreender é uma paixão, mas ainda preciso estudar muito, aliás, preciso começar e estudar, porque tudo que fiz até o momento foi muito intuitivo. Estou me programando mesmo pra cair dentro dos estudos no segundo semestre, pois estava esperando passar o primeiro aninho do Bê, quem tem filho sabe o quanto essa fase é mais complicada pra gente fazer qualquer coisa.

Os dias são deliciosamente cansativos, alguns dias eu choro atrás da porta e vou escorregando pela parede até ficar em posição fetal, noutros dias eu olho do escritório meus meninos brincando no quintal e choro de felicidade e gratidão. Esse post não tem como terminar aqui, é muita coisa pra dividir, todo dia temos “causos” pra compartilhar.

trabalhar com filhos

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É a neta de D. Edite. Ana comanda o #ACQMVQ e vive diariamente decorando aqui e ali. Trabalha home office produzindo conteúdo para o blog e outras empresas das internetes. É mãe de dois pioios lindos, ama comer, desaguar nas palavras, e não dispensa uma caipirinha no fim de semana. Sabe que ser livre também é perder o controle, que morar é mais do que habitar e que um abraço apertado é melhor que banheira de ofurô.
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14 Comentários

  1. Confesso que cansei só de ler! Uma hora me dei conta que tava lendo tão rápido, que tava ficando sem fôlego! kkkkkkkkkkkkkkkk! E, claro, no final, chorei junto com você…Como até já comentei antes, tenho um “pioio” só, mas tem dia que enfio a cabeça no travesseiro e griiiito até sentir que esvaziei a agonia do meu peito (vale dizer que, como grito no travesseiro, ninguém escuta, rsrsrs). Mas é isso, vamos levando, rindo aqui, chorando acolá e sempre seguindo em frente e nos emocionando com a maravilha que é ver a pessoinha que geramos crescendo e vencendo os desafios, e o mais importante, sendo feliz! Adoro toda a família ACQMVQ!! Abraço gostoso e bem demorado pra você!! Beijos!

  2. Ana, é tão interessante como é legal a forma como você passa a sua força e sua fragilidade diante de tudo, acho que por isso nos identificamos com as tuas falas, porque somos todos humanos, porque erramos, mesmo querendo acertar e admitir isso, num mundo em que o fake tem dominado, é, no mínimo, muito digno.
    Não é fácil, mas pode ser bom, desde que seja por amor!
    Beijo e mais horas pra amar!

  3. Que bacana que deu certo Ana, descobri vocês na gestação do Vini e venho acompanhando desde sempre!
    Me lembro de alguns posts você falando da sua avó!
    Como anda a musa inspiradora do blog?
    Um beijo!!

  4. Olá Ana,
    sou de Juiz de Fora – MG e acompanho ACQMVQ há quase três anos. Sou apaixonada pelo blog e pela sua família. Que Deus continue dando forças a vocês para dar seguimento a seus projetos lindos! Saúde, paz e felicidades!

  5. Eu tava indo tão bem ao ler o post, mas no final não aguentei e chorei!! hahahahhaha
    Me identifico muito com sua história, pois passei várias coisas parecidas. Estou empreendendo também, mas ainda estou no início dessa jornada. Tipo: mãe, trabalha sozinha, não tem empregada, trabalha final de semana. É realmente cansativo, mas escutando histórias inspiradoras como a sua, a motivação aumenta!

  6. Ana, muito legal seu post. Duas dicas, pra organização da empresa, SEBRAE. E pra organização o blog Vida Organizada. bjs e sucesso!

  7. Difícil né. Chegou uma hora que também estava lendo tudo super rápido tamanha ansiedade que ele consegue passar na gente que se identifica com tantas coisas. Quem sabe colocando o Bernardo numa escolinha em tempo semi – integral (tipo das 8 às 16 horas) você fique menos atarefada e com menos peso na consciência.

  8. Lindo relato! Real demais!!! Obrigada por compartilhar um texto que em todas as palavras tem o sentimento de “não desista, acaba dando certo, seja forte, chore que faz bem”… amei! Também trabalho em home office desde que meu filho nasceu… Te admiro muito! Uma excelente semana para toda a família ACQMVQ e leitores!

  9. Ana como gosto dos seus textos. São tão parecidos com nossas realidades!!!
    Sem “enfeitar o pavão” você nos encoraja e nos mostra situações difíceis que achamos que só nós passamos.
    Trabalho a 18 anos na mesma empresa (DP/RH), e criei meus 3 filhos de uma forma muito ausente (nos principais acontecimentos) devido a muito trabalho. Hoje é muito tranquilo, mas já passei por diversos estresses a ponto de levar serviço pra casa. Sempre quis ter meu próprio negócio, mas nunca tive coragem. Sofro muito por não ter tido mais tempo para meus filhos. Hoje são pessoas incríveis e parceiras (Mariana 21 anos, Marina 19 anos e Marcelo 14 anos), me apoiam em tudo e quando ficaram mais “crescidinhos” sempre me incentivavam a parar de trabalhar. Minha Marina e eu amamos decoração, reciclagem, DIY. Ela está iniciou o curso de Design de Interiores e está amando. Começou a montar (ou melhor, desmontar..rs) seu quarto fazendo um closet aberto. Está ficando muito bom, pois ela é muito criativa e ama o que faz.
    Bom Ana, quis aqui colocar meu sentimento quando leio suas postagens. Ainda terei coragem de largar tudo e seguir meus sonhos. Li uma frase esta semana que me chamou atenção: “Quem não tem coragem de lutar pelos seus sonhos, acaba lutando pelo sonhos dos outros” .
    Parabéns Ana, quando seus meninos estiverem crescidos terá o orgulho de ter passado o máximo de tempo com eles e recordar com muitas gargalhadas tudo que viveram. Apesar do pouco tempo que passamos juntos, é isso que procuro fazer para resgatar o tempo perdido.
    Bjus!!

  10. Parabéns. .. e não se desespere . Temos que agradecer muito em poder fazer home office. Hoje valorizo cada segundo, antes não sabia o prazer de fazer café da manhã para minha filha, ajuda – lá organizar suas coisas para ir a escola e pode dizer ..que Deus te abençoe filha, pois eu saia tão cedo que ela estava dormindo. Além de.conseguir fazer tudo isso começo a responder e – mais e me organizar no trabalho as 7:40. … sem.ser home office estaria no trânsito. ..destino escritório. A vida rende… o trabalho rende…o amor em se.dedicar a cada coisa aumenta.
    Realmente as empresas precisam dar mais atenção a este sistema home office.
    E vamos q.vamos… vivendo a vida intensamente.

  11. Parabéns Ana!
    Também sou capricorniana e sei que lidar com o psicológico não é fácil não e conciliar as vontades, deveres e todas as obrigações reais mais as da tua cabeça é uma maratona mental e física. Sucesso para vocês!

  12. Olá Ana, deixei meu emprego para cuidar da minha filha há um ano e quatro meses, e decidi montar meu sonhado ateliê de costura em casa. Sei como é difícil conciliar tudo e algumas vezes pensei em desistir, mas suas palavras me deram gás.
    Seu blog é lindo.

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