Os melhores leitores digitais e minhas próximas leituras

Estou numa fase muito leitora. Agora, 12 anos após a minha maternidade, tenho conseguido voltar ao ritmo da jovem Ana (Hahaha) e em 2021 li em torno de18 livros (que veja bem, no parâmetro mãe, empreendedora, dona de casa, é livro pra caramba, viu?).

Sem dúvida alguma o que tem me ajudado nesse processo é o Kindle, porque mesmo amando o folhear e cheirinho dos livros, não resisti a praticidade da tecnologia. Ter o livro em alguns segundos ao nosso alcance é algo que realmente facilita bastante, sem contar que muitos títulos, principalmente de autores independentes, são mais fáceis de adquirir no formato de ebook, além de preços muito mais atraentes. Se tu tiver na dúvida dos melhores e-readers que estão disponíveis no mercado, aqui uma lista atualizadíssima e cheia de ótimas dicas.

Também quero dividir com vocês minhas próximas leituras, e tive até uma ideia: que tal compartilhar resenhas em 2022? Pelo menos uma por mês em um post aqui no blog? Não vou propor a ousadia de um clube do livro porque já existem muitos incríveis, mas seria bom demais nesse meu processo assumir esse compromisso com vocês.

Também guardamos pedras aqui – Luiza Romão

As pedras de Luiza Romão têm a ver menos com as pedras no bolso de Virginia Woolf, e mais a ver com as pedras jogadas pelos palestinos em Sheikh Jarrah: um ato ao mesmo concreto e simbólico, de autodefesa e resistência ao neocolonialismo. As pedras de Luiza têm mais a ver com a pedra de Drummond, a de João Cabral, a pedra das canções de protesto do Clã Nordestino, de Nina Simone, de Pete Seeger, de Barbara Dane e de Selda Bağcan. Com “também guardamos pedras aqui”, Luiza Romão consegue inserir momentos de afago e restauro existencial, sem perder uma perspectiva crítica. Isso, em 2021, é tudo que a gente quer: se – guir nos aperfeiçoando, nos aprimorando, como seres humanos e sujeitos políticos, e ao mesmo tempo sentir um pouco de prazer, um pouco de alívio, que carreguem nossas de baterias, para que possamos voltar à realidade, prontas para a luta.

A Pediatra – Andrea Del Fuego

Cecília é o oposto do que se imagina de uma pediatra ― uma mulher sem espírito maternal, pouco apreço por crianças e zero paciência para os pais e mães que as acompanham. Porém a medicina era um caminho natural para ela, que seguiu os passos do pai. Apesar de sua frieza com os pacientes, ela tem um consultório bem-sucedido, mas aos poucos se vê perdendo lugar para um pediatra humanista, que trabalha com doulas, parteiras e acompanha até partos domiciliares. Mesmo a obstetra cesarista com quem Cecília sempre colaborou agora parece preferi-lo.
Ela fará, então, um mergulho investigativo na vida das mulheres que seguem o caminho do parto natural e da medicina alternativa, práticas que despreza profundamente. Em paralelo, vive uma relação com um homem casado, de cujo filho ela acompanhou o nascimento como neonatologista. E é esse menino que irá despertar sentimentos nunca antes experimentados pela pediatra.

Não aguento mais não aguentar mais – Anne Helen Petersen

“Você sente que a sua vida é uma lista de tarefas infinitas? Fica perdido por horas no feed do Instagram porque está cansado demais para ler um livro? Está atolado em dívidas, sente que está o tempo inteiro trabalhando ou tenta transformar qualquer coisa que te traz alegria em algo que gere lucro? Bem-vindo(a) à cultura Burnout. Analisando a estrutura social na qual os Millennials foram criados e da qual fazem parte, Anne Helen Petersen desconstrói os mitos que envolvem essa geração e revela como o burnout afeta todos os aspectos de nossas vidas. Unindo uma abordagem sócio-histórica, entrevistas inéditas e uma análise detalhada, Petersen oferece um olhar estimulante, íntimo e esperançoso sobre a vida de uma geração muito difamada.”

Insubmissas lágrimas de mulheres – Conceição Evaristo

O elo fundido com técnica literária irrepreensível e grande força de sentimentos apresentado em “insubmissas lágrimas de mulheres”, se revela um retrato de solidariedade e afeição feminina, por tocar no que é essencial, no que move, no que aproxima e une mulheres e, em espacial, mulheres negras. Os afetos, reflexões e deslocamentos que os contos de insubmissas lágrimas de mulheres nos causam, são frutos que só a boa literatura, a que salva, pode nos trazer, reafirmando o lugar de destaque ocupado por conceição evaristo na literatura brasileira.

Tudo que leva consigo um nome – Franscisco Mallmann

Um dos principais poetas de sua geração, Francisco Malmann se lança em narrativa mais longa para contar com humor e desespero o fim de um relacionamento

É impossível atribuir a uma etiqueta a Tudo o que leva consigo um nome, de Francisco Mallmann. É poesia, novela ou performance? A voz que marca todo o livro é de um homem, de uma mulher ou de uma pessoa não binária? Esse é um livro atravessado pelo amor ou pelo ódio? É uma comédia ou um drama? Trata-se de política ou de algo mais trivial? Em vez de se fixar em um único caminho, Mallmann nos mostra as várias possibilidades da linguagem, com fluidez e sensibilidade.

Morra, amor. – Ariana Harwicz

Em uma região esquecida do interior da França, uma mulher luta contra seus demônios: ao mesmo tempo que abraça a exclusão, deseja pertencer; que almeja a liberdade, sente-se aprisionada; que anseia pela vida familiar, quer botar fogo na casa.

Casada e mãe de um bebê, ela se sente cada vez mais sufocada e reprimida, apesar de o marido aceitar seu estranho comportamento. A condição feminina, a banalidade do amor, os terrores do desejo, a maternidade e a brutalidade inexplicável “de levar seu coração com o outro para sempre” – esse romance aborda todas essas questões com uma intensidade crua e até mesmo selvagem.

Tu já leu algum deles? Por qual devo começar minha resenha em Janeiro?

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É a neta de D. Edite. Ana comanda o #ACQMVQ e vive diariamente decorando aqui e ali. Trabalha home office produzindo conteúdo para o blog e outras empresas das internetes. É mãe de dois pioios lindos, ama comer, desaguar nas palavras, e não dispensa uma caipirinha no fim de semana. Sabe que ser livre também é perder o controle, que morar é mais do que habitar e que um abraço apertado é melhor que banheira de ofurô.
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