Não decorei minha casa nem comprei plantas durante a pandemia.

Mudei há exatos 6 meses e não coloquei um quadro na parede (e olhe que sem tem coisa que tenho são quadros). 


Aqui rolou administrar minha síndrome de ansiedade, um emprego que não me fazia bem e todas as situações difíceis de convivência com os meus entes queridos decorrentes do período de isolamento. No meio de tantas outras urgências não fazia o menor sentido pintar paredes e me preocupar com uma casa decorada, minhas prioridades definitivamente eram outras. Na contramão de um movimento onde um monte de gente se distraia decorando suas casas, não consegui me blindar do que acontecia no país e no mundo. Desfazer das minhas caixas de mudança não me traria nenhum sentimento de conforto.


Tantas e tantas vezes ficar fora da “minha bolha” me deixou tão chateada, de verdade. Como blogueira há tantos anos, muitas vezes me vi ficando pra trás ou decepcionando pessoas. Isso me causava dor, mesmo sabendo que estamos constantemente passando por processos e que precisamos respeitá-los. Até que parei de me sabotar: Se já existe tanta cobrança de todos os lados, porque insistir em mais uma? Por que gerar mais angústia?
As dificuldades precisam gerar pontos de distinção, busca de equilíbrio e alguns significados que o dinheiro não consegue comprar, jamais critério de desvantagem.


Funciona do mesmo modo que a ideia do “pra você curtir uma praia só precisa de um corpo e um biquíni”, entende? Pra amar sua casa é necessário apenas você e um teto pra te abrigar. Com todas as imperfeições: a parede descascando, o piso quebrado, a torneira que pinga, o sofá surrado.


Setembro tá chegando, já vejo sinais e começo aos poucos um outro movimento. Busco referências, planejo, paro no meio do corredor indo pra cozinha e…visualizo. Penso que a criatividade deve prevalecer sobre o consumo, que a minha potência é tão grande quanto a vontade de me divertir, no e com o lugar onde moro. É assim que a gente cria vínculos e estabelece pontos de partida. 
Tudo bem também. Podemos formar um grupo de sobreviventes, rs.

Ilustração de Luis Mendo: https://www.luismendo.com/

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É a neta de D. Edite. Ana comanda o #ACQMVQ e vive diariamente decorando aqui e ali. Trabalha home office produzindo conteúdo para o blog e outras empresas das internetes. É mãe de dois pioios lindos, ama comer, desaguar nas palavras, e não dispensa uma caipirinha no fim de semana. Sabe que ser livre também é perder o controle, que morar é mais do que habitar e que um abraço apertado é melhor que banheira de ofurô.
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