Don’t Hurt Yourself

Já digitei e apaguei mil vezes o início do post, e você está lendo nesse exato momento uma saída para finalmente o pontapé: Falar que não sei bem o que escrever, mas que sinto a necessidade de.

Talvez eu possa contar como a vida anda né? Acho que é uma boa, já que meus dedos estão nervosos e quase não tenho mais a parte interna dos lábios (sim, mordo tudo).

Após mais de um ano separada, morando sozinha com meus pioios, aproveitando as minhas noites de fim de semana, passando uns perrengues, amando, enlouquecendo, estando ausente, presente, firme, rastejando, feliz, mais feliz, pessimista, sendo rocha, sendo vulnerável, sendo grande e menor do que antes, estou tão eu e me sinto tão bem. Como as coisas mudam, como os dias são diferentes, como os ciclos te levam por tantos caminhos e como a vida é maravilhosa.

A Ana de 33 é tão diferente da de 26, quando comecei a escrever o ACQMVQ.

E agora eu falo por nós:

Como é bom nos vermos no espelho com tantas fraquezas e sendo tão fortes. Como é libertador descobrimos que podemos tudo, ainda que vez ou outra a gente ainda desça atrás da porta num choro silencioso e com tantas dores.

É tão maravilhoso fazermos as pazes com o nosso passado, perdoando, sendo perdoada e nos perdoando, nos livrando de culpas e livrando os outros. A gente erra pacarai todo tempo, e é assim, sempre será assim. Libertar sentimentos ruins nos faz tão leves, fica até mais fácil subir dois vãos de escada.

Militar, engajar, tomar partido, como tem sido transformador o feminismo aqui em mim. Delícia também é descobrir que só precisamos ser quem somos. Que alivio postar uma foto estando quatro quilos a mais do pretendido, sem photoshop, sem receios, sendo quem sou, segura, foda-se.  Só tem uma coisa que ainda não consigo aceitar: textos sem “alinhar” (Align Full – Alt + Shift+ J). De resto, só digo uma coisa: Precisamos nos abraçar mais, mulheres. Precisamos nos julgar menos.

ana casa

E a maternidade? Desde que eles chegam aqui nesse mundinho miseravi, tudo fica tão mais difícil e belo. E só conseguimos pedir mais dias por essas bandas, temos sede de viver, queremos bisnetos só pra ter certeza que os filhos chegarão lá na frente são e salvos.

Nos últimos meses consegui voltar pra minhas crianças, ainda que não tenha saído de perto deles um só minuto. Ainda não cheguei ao patamar das mães dos grupos do Facebook, continuo na vala das mães que chora na frente dos filhos, que esconde o leite condensado pra comer sozinha, que reza pra que chegue logo sábado e eles irem pra casa do papai, que diariamente trinca os dentes, cerra os olhos, desce até a altura dos menores e diz “Você quer mesmo continuar desobedecendo?”. Mas voltei pra eles, e sou tanto deles e como isso conforta e alegra o meu coração.

ana casa2 ana casa3

E se antes eu não sabia como começar esse texto, seu perfeitamente como finalizá-lo: Você consegue fia, nós conseguimos e conseguiremos sempre. Tá barra? Sei bem como é, mas a gente sempre consegue, vai por mim.

Não se machuque.

Com amor,

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Ana Medeiros
É a neta de D. Edite. Ana comanda o #ACQMVQ e vive diariamente decorando aqui e ali. Trabalha home office produzindo conteúdo para o blog e outras empresas das internetes. É mãe de dois pioios lindos, ama comer, desaguar nas palavras, e não dispensa uma caipirinha no fim de semana. Sabe que ser livre também é perder o controle, que morar é mais do que habitar e que um abraço apertado é melhor que banheira de ofurô.
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29 Comentários

  1. Aiiiii muiéee!
    Acompanho aqui faz tanto tempo, mas comento pouco, apesar de ta sempre na torcida por vc e seus rebentos…Felizona de te ver assim!
    E esse texto foi uma lapada aqui no meu peito… to numa faze mei desacreditada de mim mesma e suas palavras bateram forte aqui…como uma conversa entre amigas pessoais…haha
    Sinta-se abraçada!!!

  2. Oi Ana, sigo seu insta a tempos, e me identifico com sua decoração… vivo sonhando com elas na minha casa… hoje achei seu post sobre o texto do blog, e me achei nos momentos duros da sua vida, obrigada por compartilha-los conosco e mostrar que eles acabam e que somos fortes e superamos tudo isso!
    Janaina

  3. Ana, para mim você é uma amiga de infância, dessas que a amizade não separa com o tempo. Sempre visito a sua página, as vezes me ausento, mas quando leio um post seu, é como se sempre a tivesse acompanhado, você é tão igual, é tão verdadeira que dá gosto de ser “amiga”. Esse seu texto é lindo, somos todas assim! Um grande abraço!

  4. Ana, não te conheço, mas sinto como se fosse tua amiga de tanto que te admiro, gosto e torço por ti. Agora lendo esse texto me emocionei em ver que estás tão bem, e em processo, sempre…das delícias de descobrir que(clichê, mas é verdade): “A VIDA É BELA!!! ”

  5. Nada como um dia após o outro, não é mesmo? Fico muito feliz por você e os pioios, rs.
    Amo esse blog, ele me ensina de tudo um pouco e, quando sei que a dona dele tá conseguindo vencer etapas que pareciam tão intransponíveis há uns tempos atrás… isso me enche de alegria sincera.

    Bjos.

  6. Emocionante seu texto Ana, pela simplicidade, sabedoria e coragem. Acredito na verdadeira liberdade que conquistamos quando passamos a reconhecer, questionar e enfrentar essas amarras que nos prendem a padrões – impossíveis de serem alcançados – nesse mundo ainda tão machista, superficial e opressor. Acompanho o ACQMVQ, admiro seu trabalho e desejo muitas realizações nessa tua linda caminhada.

  7. Ana, te acompanho desde sempre. Desde o Rio, desde o nascimento do Vinico, da mudança, do Bê, da separação…você é uma inspiração, de verdade. Não sou iludida pra achar que você é fodona sempre, até porque você sempre se mostra tão vulnerável, tão vida real, que sei que não estou diante de uma fantasia ou de uma pessoa que quer parecer o que não é (como tantas criaturas que vemos por aí). Por isso que te acompanho. Porque você sou eu e tantas outras que comentam (ou não), que te seguem nas redes sociais, no blog. Você tá junto da gente, é aquela amiga que aparece e ouve e conversa sem julgar. Pelo contrário, mostra que é falível, como todas nós. Também temos nossos dias de #mãedemerda, #esposademerda, #donadecasademerda, #profissionaldemerda, e por aí vai. Suas palavras são sempre aguardadas e bem vindas, porque tu é gente como a gente! Nos sentimos acolhidas, compreendidas e admiradas por você. Obrigada por estar sempre aí do outro lado! Um beijo grande. É nóis!!! 🙂

  8. Acabei de ler, com a emoção e o carinho escorrendo pelos olhos… Esse texto foi mais que um abraço, foi um acalento na alma e no coração das mulheres, das mães… que não são perfeitas, mas que são de verdade! Conseguiremos, com certeza!!! E juntas fica bem mais fácil atravessar e superar as dificuldades que surgem!
    Um abraço cheio de carinho e coragem para seguirmos em frente!!!

  9. Adoro seu blog, as dicas, as ideias, os comentários. Você consegue mesmo. Agora vai lá e troca o “serra” por “cerra” porque tenho certeza de que serrar os olhos fora do rosto não é o que você tinha em mente.

    bjs
    bjs nos pioio

  10. Um abraço de África, de Angola mais propriamente 🙂
    Ao ler o teu texto Ana senti-me inspirada e com vontade de comentar e dizer que é verdade que há sempre um amanhã e que bom é ver-te a caminhar sem desistir com coragem e esperança.
    És tu, eu e todas as que lutam por ser individuais e mães e esposas e profissionais.
    Um beijinho!

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