Como você enxerga as mudanças na sua vida?

Não saberia contar quantas de mim fazem parte da minha história, mas no auge dos meus 36 anos, talvez consiga já deixar o conselho para os mais jovens: É totalmente falsa a ilusão de que vai chegar o dia em sua vida que tudo estará tão perfeitamente em ordem, ainda que você acredite em uma situação estável com alguns perrengues no meio, que preciso de te dizer que as coisas vão mudar sempre, o universo vai te chamar o tempo todo para fazer mudanças. E se elas irão ser boas ou ruins, depende de como você encara e enxerga cada uma delas.

Estou de apartamento novo. Mudando pela sétima vez em dez anos de A casa que a minha vó queria.

Recapitulando: a primeira delas foi logo quando iniciei o blog, morava no RJ e sai de um apartamento pequenino que detestava, pq além de muito velho ele era muito quente, e fui para um apartamento maior na Freguesia. Foram lá os primeiros passos de Vinícius, onde todos os mesversários foram comemorados. Depois mudei pra o interior de Pernambuco, Gravatá. Estava casada, mudando de um grande metrópole pra uma cidadezinha pequena, só com as malas de roupas, apostando numa força empreendedora que me acompanha desde muito cedo. E deu certo! Tão certo que mudei pra uma casa enoooorme, com salão de festa, piscina, apartamento anexo, um jardim imenso e quatro funcionários. Foi o auge da família classe média emergente que vai falir daqui a pouco. Tive mais um filho. Separei, mudei de novo pra uma casinha modesta com meus dois pioios e fui tentando organizar tudo ao meu redor. Mas eu cresci em três anos o que muita gente demora trinta. Decidi após doze voltar a morar em Recife e encontrei o apartamento do piso de taco, amor à primeira vista. Ali era o meu lugar. Pintei uma mandala na parede, estive muito tempo sozinha, morri e deixei morrer coisas tão íntimas que nao cabem numa rede social. Agora me apaixonei, e não foi por um apartamento. Me apaixonei talvez como nunca antes. E paixões são coisas que mexem com a gente demais, não tem como sair impune. Ai eu mudei de novo. Sem garantia nenhuma, sem saber muito bem o que está acontecendo, mas na pior das hipóteses, estou de cara com a vista mais linda de Recife City. O que já é uma vantagem a essa altura da vida.

E consigo enxergar beleza nisso tudo: na beleza, na entrega, na doação, no apostar em incertezas, em crescer com cada endereço novo. Enxergo não só a beleza da vista que tenho agora, mas também na transformação que cada casa me traz, pq ando descalça dentro da minha sala, do meu quarto, da cozinha, de todos os espaços que ocupo.

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Ana Medeiros
É a neta de D. Edite. Ana comanda o #ACQMVQ e vive diariamente decorando aqui e ali. Trabalha home office produzindo conteúdo para o blog e outras empresas das internetes. É mãe de dois pioios lindos, ama comer, desaguar nas palavras, e não dispensa uma caipirinha no fim de semana. Sabe que ser livre também é perder o controle, que morar é mais do que habitar e que um abraço apertado é melhor que banheira de ofurô.
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2 Comentários

  1. Amei o texto! E me identifiquei muito, estou passando por muitas mudanças no momento, inclusive um bebê rsrs… Mas acredito bastante que tudo é para crescimento e aprendizado, ainda que num processo doloroso! =)

  2. Já me mudei 5x depois que casei e não é fácil… sempre muito cansativo, às vezes prazeroso, às vezes doloroso. Mudança nos faz evoluir, amadurecer mais rápido de fato! Mas prefiro assim do que o marasmo da mesmice. Boa sorte e muita luz nessa nova jornada!

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