Como viajar sem os filhos

Como existe mãe de todo tipo no mundo…Tem umas que são desprendidas, outras que são apegadas , tem mãe que gosta de ficar sozinha, tem outras que adoram muitas pessoas em volta e existem aquelas que, como eu, tiveram que aprender a desgrudar um pouco dos filhos.

Essa não foi a decisão mais fácil da minha vida. Não mesmo. Viajar sem o filho não é tão simples assim. Acho que só foi possível ir porque eu tive que decidir de última hora e não tive muito tempo para pensar pra comprar as passagens. Se não fosse assim, teria colocado 50 empecilhos em um segundo. Não dá, não gosto da ideia, eles são muito pequenos, o menor vai estranhar, filho tem que ficar com os pais, qual é o problema deles irem… Todas essas coisas e muitas, muitas outras mais.

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Mas como meu marido me conhece e sabia que a minha vontade de viajar era grande, tratou logo de me fazer entender que era isso ou seria mais complicado para irmos, mais caro, mais difícil. O problema não era a cidade, o avião, só a grana e nem nada. A verdade é que nós precisávamos de um tempinho.

Não posso deixar de compartilhar, é claro, o grande esforço da nossa família pra tornar tudo possível. Eles se desdobraram para revezar os cuidados com os meninos. Tudo para deixar a gente bem tranquilo. Eu, principalmente, para ser mais específica.

A maioria das informações que vejo por aí sobre viagens estão sempre falando onde os pais podem levar os filhos e não te “ensinam” e nem ajudam a gente a entender que é preciso um esforço grande para estar um pouquinho sem eles e mais do que isso: é necessário estar sem eles. Sim, por você, por cês dois.

Com as passagens compradas não tinha como voltar atrás, mas eu juro que tentei até o último segundo. E o pior…meu filho mais velho adoeceu no dia da viagem. Meu embarque era às 12h e às 6h estava eu na emergência com ele tossindo, com febre, sem ar…

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Mas para a minha surpresa, essa foi uma das melhores viagens da minha vida. Mães, não me julguem! Não me coloquem de castigo!  Foi maravilhoso respirar outros ares, namorar um bocado, dormir (Gente, eu dormi!), colocar comida só pra mim, não se ocupar com outras bundas e entender – ser obrigada a entender – que esse distanciamento é necessário. O cordão umbilical já foi cortado.

Acho que a idade certa pra fazer isso é depois que o bebê deixa o peito e de preferência, deixe ele dormir umas semanas antes na casa das pessoas que vão ficar com ele para que se acostume com a ideia, com não ter você o tempo todo. Sair bruscamente pode ser um trauma, eu acho. Meus filhos ficaram uma noite fora, um final de semana, uns 4 dias, umas semana, antes de resolvermos ficar longe por 24 dias em outro país.

Também tente não colocar regras demais em relação a rotina dele. Sério! Ninguém aguenta. Deixe as pessoas livres. Pense comigo: sua mãe e seu pai te criaram, né?! Seu sogro e sua sogra, claro, o seu marido. Eles fizeram um bom trabalho sim. Não tem problema comer um doce fora de hora um dia, dormir mais tarde…são férias!

Eu aprendi uma coisa sobre os filhos: muitas vezes, somos nós, pais, que acabamos por gerar nos pequenos o desconforto em relação a uma adaptação natural. As crianças são muito simples, sabe. Se no primeiro dia de aula do seu filho você ficar na porta da sala, chorando e quando ele chegar em casa, você faz uma cara de sofrimento, de que não confia no que pode estar acontecendo lá, coloca toda a naturalidade do processo por água a baixo.

Seu filho vai se adaptar as mudanças se você deixar e isso vai ser bom pra ele mais cedo e mais tarde. Acredite! Você criará alguém  muito mais maleável a vida.

Mas, vamos ao que interessa,  o objetivo desse post não é te dar dicas de lugares bacanas pra ir sem as crianças e sim, de forma prática, te ajudar a não ser uma mãe louca quando estiver fora. Anotem as dicas:

EVITE LIGAR TODA HORA (Por favor)

Além de ser caro ligar de 30min em 30min pro seu filho, não é possível que você deixou ele com alguém maluco e que não sabe o que está fazendo. Se fosse assim eu diria pra você voltar pra casa JÁ! Você confiou em alguém. Então, até pra não deixar a pessoa insegura, ligue num momento de tranquilidade para ter um resumo do dia. Dessa forma você deixa todo mundo mais tranquilo. Sei que é difícil, mas pense que é um momento que essa distância pode ser saudável pra vocês todos.

USE A TECNOLOGIA A SEU FAVOR

Se você tem o computador com você ou o celular pode usar o Skipe, Facetime e tantos outros programas pra falar e ver o rostinho dos seus filhos. Mande um vídeo de bom dia ou um áudio de boa noite. Hoje todo mundo pode gravar um vídeo legal ou tirar uma foto bacana e mandar pelo celular mesmo, rapidinho. Lembrando que é permitido receber “conteúdo” dos pequenos também. A única coisa proibida aqui é cobrar isso toda hora.

ESSA NÃO É A HORA DE TER UMA CRISE DE CIÚMES

Você é a mãe. Ponto. Ninguém vai tomar o teu lugar. Evite dizer “Nossssssa, mas você nem tá com saudade da mamãe, né”, “Nem quer falar comigo” ou até “parece que nem quer que a mamãe volte”. Pelo amor de De-us! Seu filho pode estar simplesmente adorando dias sem regras, distraído com a TV. Sei lá. Se ele parecer distante, se controle! Não tenha uma crise achando que ele não vai querer saber nunca mais de você.

CONVERSE SOBRE MUITAS OUTRAS COISAS

Aí tu conseguiu viajar, tá lá no maior clima de “loves in the air” e me solta: Será que ele já jantou? Será que fez xixi? Será que chorou? Será que comeu uma barata? Eu já vi uma barata uma vez na casa e ele vai pegar e achar que um feijão maior e com pernas e vai comer e eeeee…E nada! Vá conversar sobre você, sobre os móveis lindos que você viu na lojinha da Casa Que Minha Vó Queria, sobre os filmes indicados ao Oscar, sobre a alta do dólar, sobre a comida… Tudo! Pode falar das crianças?! Eu deixo! Só um pouquinho, com moderação. Mas eu sei que cê é criativa! Cê vai conseguir, mulher! Já passou a fase mais difícil.

COMPRE UMA LEMBRANCINHA PRA ELES

O título já diz tudo! Não tem criança neste mundo que não goste de ganhar alguma coisa. Meu conselho é: Não precisa trazer nada muito caro ou grande demais pra compensar a culpa de ter estado fora. Lembra que o objetivo é fazer com que tudo role naturalmente?! Então…Sei que a culpa é algo bastante presente na vida das mães, mas ao invés de criar uma criança chata por seus problemas, lembre-se que você estará educando alguém para ser um adulto forte e flexível.

Uma lembrancinha já dirá: Senti saudade e lembrei de você. Ele verá isso em seus olhos e juro, o que mais ele precisa quando você chegar em casa,  é  de um abraço apertado.

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*Informações Adicionais: Tenho dois filhos: Dois guris, como a Ana, um de 5 e outro de 2 anos. Eu fui pra Califórnia, mas não virei artista de cinema. Se tu quiser, um dia conto. Não sei se meu destino é ser star. Meu filho ficou com pneumonia no meio desse processo. Não enlouqueci! Chorei de saudade, claro. Ainda sou um ser humano. Ele sobreviveu. Tá tudo bem, tranquilo e saudável agora. Sim, faria de novo.

 

 

8 Comentários

  1. Poxa Gabi parabéns, ótimo texto além do humor (muito bom por sinal 🙂 ) traz exatamente o que nós mães sentimos principalmente em momentos como esse! Amei.

  2. Parabéns Gabi pelo texto e pela coragem!! Acredito que tb seria difícil pra mim ficar longe do filhote mas tb faria essa opção… Com certeza um pouco de distância e liberdade (para mães e filhos) faz bem!!

  3. Nossa, amei o texto mesmo. Como mãe em alguns momentos até me emocionei de verdade, pq é bem isso. Eu ainda não consigo viajar sozinha. Mas depois de ler esse texto, vou me esforçar p vencer essa barreira.

  4. Nossa Gabi, tudo o que disse é verdade, não precisamos nos sentir culpada, hoje tenho aprendido a desapegar, tenho 2 meninos um de 16 e o outro de 14. Ou a gente desapega ou sofre, então prefiro desapegar e curtir as fases. Boa sorte pra nós. Bjo

  5. Amei o post, já viajei sem a filhota e foi mt bom tbm. Agora também comecei a ler o texto achando que era a Ana… Ana, como sugestão, seria legal colocar o nome do autor logo no início do texto e não no final… Bjão!

  6. Adoro esse blog! Que trem gostoso!
    Sempre fui doida pra fazer isso, mas aqui seria a terceira guerra mundial, minha família não daria esse apoio e me julgariam muito, então prefiro evitar. Mas acho que é isso mesmo, se você tem um suporte e sabe que os pimpolhos vão ficar numa boa, porque não?!
    Beijos!

  7. Oi, Gabi!

    Não sou mãe e não sei se quero ser; mas se for, certeza que farei igual você! Tenho para mim aquela velha história “você cria os filhos para o mundo”. Com 15, 16 anos “eles já não querem mais saber de pai e mãe grudados” e esse será um processo muito mais fácil se rolar uma liberdade, um espaço gradual entre todos, sem contar toda a maturidade que eles adquirem!! ^-^

    Muito legal seu post! ^-^

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