Gravatá, Pernambuco, 1960.

Gravatá, Pernambuco, 1994.

Meu pai e eu. Praticamente tínhamos a mesma idade quando moramos algum tempo nessa casinha.

Meu avós veraneavam na cidade, mas depois decidiram morar por um tempo com os quatro filhos. Trinta e quatro anos depois, meu pai voltava com sua família: eu, minha irmã e minha mãe. Na época a casa era ocupada por um irmão do meu avô, um senhor solitário e esquizofrênico, que morou por anos enquanto ainda estava vivo. Morreu logo após a nossa chegada.

Após alguns meses meu pai ficou desempregado e fomos morar na casinha que estava desocupada. Ela já era meio esquisita com paredes desenhadas pelo meu falecido tio, e sim, era uma casa que alguém tinha morrido dentro, uma casa que os vizinhos falavam ser mal assombrada, heheh. Tudo muito simples, tinha um bom quintal e um quarto que cabia o nosso beliche, mas lembro que minha mãe se desfez de alguns móveis e foi um pouco frustante pra ela.

Achei estranho o chão ter umas partes que saiam areia (piso quebrado), usar um baldinho pra descarga e acordar com minúsculas folhinhas secas do pé de algaroba em meu rosto que caiam pelo telhado. Na minha visão de criança, era uma casa divertida, mas sabia que estávamos vivendo em um lugar muito diferente de todos que já tínhamos morado.

Foi nessa casa que descobrimos o valor de coisas que não tem valor, como uma calçada cheia de amigos todas as noites, mas foi nela também que aprendemos a viver com quase nenhum conforto. Lembro que em algum momento senti vergonha dos que chegavam, em outros desejei já ser uma blogueira que consegue mobilizar empresas do ramo de construção (tá, brincadeira, naquele tempo a internet nem existia de fato para os mortais), e muitas vezes pedi em silêncio que meu pai nos tirasse dali o quanto antes.

Esse é o primeiro post de uma série de posts e de uma volta ao passado. Não sei se consigo chamar de “projeto”, prefiro dizer que é mais uma etapa de uma história que teimamos em rescrevê-la com um final feliz. É sobre ter menos, sobre simplicidade, sobre ressignificar um monte de coisas dentro e fora da gente.

Após 24 anos estamos voltando. Carinhosamente apelidamos de casinha raiz e vamos mostrar o que faremos a partir de agora com tantas coisas ainda pra serem vividas. Espero que de alguma forma a nossa história leve um monte de gente também para lugares e sentimentos que foram deixados pelo caminho.

É isso, pipous!

(Sei que nem todo mundo tem Instagram, mas por lá já consegui mostrar um pouco mais da nossa casinha raiz, tá bem nos destaques do perfil. De toda forma, vamos ter muito assunto, vídeos e fotos sobre tudo isso por aqui também. Estamos só começando).

5 COMMENTS

  1. ah , certeza que vai ficar uma lindeza ! eu quero espiá tudinho , rss. E q palavras bonitas heim , reviver, resignificar , recordar …..

  2. Já falei que eu te amo? rsrsrs
    Engraçado que eu acompanho o teu insta pessoal, o da casa e meeeeexxxxxxxxxmo assim eu prefiro vir aqui e ler tudo o que fala.
    Acompanho teu blog, teus recomeços, tuas fases e os pioios (chamo os meus assim tmb pq aprendi com vc rsrsr) e me emocionei ao ler esse texto (acho que to de TPM) hahahaha
    Enfim, não deixe de escrever JAMAIS <3

  3. Ana, vc vai morar na casa raíz ou é pra passar umas férias?
    Eu achei lindo o post, a história. Adoro acompanhar tudo pelo blog.
    Mudando de assunto: vai ter post sobre os meninos e a mudança de cidade? Adoro saber deles 🙂
    Um grande beijo.

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