A bagunça nossa de cada dia ou uma história de superação.

Num passado não muito distante, mais ou menos há uns 4, 5 meses, eu passei por um processo muito difícil que culminou em algumas mudanças aqui nessa vidinha abençoada. Tive um esgotamento físico e emocional que me derrubou em muitos níveis e aspectos desse meu ser. Estava esgotada (não consigo me definir melhor) e fui diagnosticada com a tal da síndrome de burnout.

O assunto é muito vasto e posso falar sobre o que aconteceu comigo outro dia de forma mais abrangente, hoje quero focar apenas em UMA das causas, que foi certamente a cobrança excessiva que eu tinha comigo em relação a limpeza, organização e decoração do meu cafofo. Vejam bem, eu nunca fui neurótica, deixo muita coisa passar pelos meus olhos, nunca fui a pessoa que lava prato às 23h pra não dormir com a pia suja. Eu só precisa olhar para os lados e saber que estava minimamente limpo, que no quarto das crianças não tinha poeira acumulada embaixo da cama, que a privada estava ok e que bem, as coisas estavam funcionando em um nível satisfatório. SÓ QUE precisamos falar sobre esse nível.

Exemplo? Já deixei inúmeras vezes de entregar artigos atrasados (pra quem não sabe escrevo para outros blogs corporativos) porque simplesmente não conseguia me concentrar sabendo que já eram 10h da manhã e as camas ainda não estavam forradas. Vejam bem: Eu não sou neurótica com limpeza, mas eu sou capaz de perder alguns reais na minha conta porque a cama está desarrumada, porque até então não sabia muito bem sobre prioridades.

E agora trago verdades: A tua casa impecável não é prioridade, até a tua casa “arrumadinha” não é prioridade, vai por mim…Demorei pra entender isso, e precisei adoecer pra também entender que não, eu não preciso conseguir. A casa precisa nos acolher, mas ela não deve nos trazer culpas, nem perdas, sejam elas materiais (Como já aconteceu comigo) ou de bem estar.

Há quem diga que o nosso entorno diz muito do que se passa dentro de nós, né verdade? Pois hoje quero apresentar-lhes uma Ana mais feliz, uma Ana que não se importa mais em comer no sofá enquanto termina um post, uma Ana que deixa pra lavar o banheiro só na hora do seu banho (e junta as calcinhas pra levar pra máquina de lavar), uma Ana que deixa as camas bagunçadas até as 15h se for preciso, uma Ana que não desce mais de madrugada pra deixar a mamadeira do filho pequeno na pia, ela apenas estica o braço e deixa ali mesmo no “criado-mudo”. Uma Ana que as vezes pega toda a bagunça, coloca num quarto só e fecha a porta, sem estresse. Uma Ana que chega correndo pra fazer xixi e joga a bolsa em qualquer lugar, uma Ana que aceita que as folhas caem e podem ficar ali uns dois dias, e ainda é capaz de dizer “olha só como a natureza é bela”, risos. Uma Ana que ao invés de arrumar a cozinha e fazer uma sopa de legumes para os filhos, coloca-os dentro do carro e vai comer coxinha na rua. Perceber tudo isso, nossa, foi um alívio, libertação.

Por que eu adoeci, sabe? Não quero mais passar por isso, e tenho tentado ser mais legal comigo. Tenho aprendido sobre prioridades, porque eu não quero nunca mais ser a Ana que precisa deixar tudo em ordem, na condição de se desorganizar emocionalmente.

Agora separo dias e horários pra tentar lidar melhor com tudo. Por exemplo, toda segunda é dia de faxina, mas só se eu tiver bem pra isso. Terça é dia de cozinhar, mas só se eu tiver bem humorada. Quarta é dia de cuidar das roupas, mas só se eu não tiver uma reunião. Quinta volto pra faxina de novo, mas só se eu quiser. O caos vai sendo controlado, mas sem grandes expectativas e neuras, porque eu sou o centro, não mais o que me tira do eixo.

É uma situação de privilégio? Pode ser que sim, tem gente que não tem opção. Mas ainda assim eu te peço: seja menos duro (a) com você em relação a sua casa. Veja bem: As coisas podem ficar pra amanhã, podem sim. E podem mesmo!

Boa sorte, não adoeçam.

  • Há mais de um ano não tenho mais diarista, nem Lili trabalhando comigo. A minha casa é grande mesmo, em cima e embaixo. Esse piso branco lasca um, ainda não coloquei persianas nas janelas e penduro lençol, sou dessas. Nesse exato momento a casa está um brinco, fiz a faxina da segunda, mas isso é o que menos importa, hoje eu posso me cobrar por muitas coisas, mas com o meu lar doce lar, não mais. Vivemos um amor livre.
COMPARTILHE
Ana Medeiros
É a neta de D. Edite. Ana comanda o #ACQMVQ e vive diariamente decorando aqui e ali. Trabalha home office produzindo conteúdo para o blog e outras empresas das internetes. É mãe de dois pioios lindos, ama comer, desaguar nas palavras, e não dispensa uma caipirinha no fim de semana. Sabe que ser livre também é perder o controle, que morar é mais do que habitar e que um abraço apertado é melhor que banheira de ofurô.
Faça seu comentário

22 Comentários

  1. Eu amei esse post!!!
    Ainda bem que nunca tive problema com isso, mas lembro que quando sai da casa da minha mãe eu jurava que minha casa ia ser impecável, tudo seria arrumadinho, cheirosinho, ia ter cheiro de limpeza quando abrisse a porta… Sonhei eu. Eu entendo que existem coisas mais importantes para fazer e apesar de amar arrumar a casa eu consegui entender que nem sempre eu vou conseguir, então eu simplesmente aceitei. Te desejo muita força nisso, espero que tudo ocorra bem por aí

    Beijos da Pink do blog Pink is not Rose ?

  2. Olá, q post m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o!!! Eu moro sozinha e não ligo p/bagunça. Sou “crica/chatona” com limpeza q faço uma vez por semana. Minha irmã, que é neurótica por limpeza, se sente super bem no meio da minha baguncinha – aquele caos organizado – rs. Toda vez que ela vai lá em casa, comenta o quanto deve ser bom fazer as coisas quando bem entender… Eu não me cobro tanto quanto antes, passo horas com as minhas duas gatinhas filhotes no colo, afinal elas vão crescer, mudar os hábitos, preciso acompanhar o crescimento delas, estes pequenos momentos de alegria – lógico isto vale para as minhas sobrinhas também, que adoram ir na minha casa porque sou do tipo que larga tudo para brincar com elas… Beijos e melhoras,

  3. Oi Ana!!! Definir prioridades é tudo!! Já te acompanho um tempão, e mta coisa na minha casinha foi inspirada no blog, por isso como retribuição vou te deixar uma dica q recebi de varias outras mulheres guerreiras : se informe sobre flylady! Esse método foi a solução pra mim que odeia faxina, mas ama a casa cheia de amigos!

  4. Ana, posso curtir mil vezes?
    Eu estava precisando ler esse texto! Somos cruéis conosco, nos cobramos demais e exigimos uma organização de casa “de revista” e isso não é real e nos desestabiliza emocionalmente.. não compensa!
    Uma casa real tem bagunça sim, pq há vida nela! Precisamos saber o q é prioridade e aprender a entender o que está ao nosso alcance.
    Obrigada por esse texto lindo e reflexivo!

  5. Eu estava precisando ler isso. Minha casa tá uma zona, e eu sempre prefiro ler um livro ou assistir alguma coisa bacana que me da paz de espirito, em vez de arrumar, mas depois me sobe uma culpa sem fim, como se eu estivesse sendo a pior pessoa do universo em deixar o caos se instalar na minha casa, escreve mais sobre isso Ana, vc não sabe o bem que faz pra gente com esses texto.
    Obrigada!!!

  6. Oi, Ana! Dizeres reflexivos! Me coloquei em seu lugar em toda frase que eu lia. Aliás, faço estas reflexões de tempo em tempo e ainda não consegui sua maturidade sobre que a prioridade é meu estado emocional, que se confunde totalmente com a organização da minha vida pessoal: casa, dois filhos meninos, sem diarista há um ano, vivendo um relacionamento ousado depois de 18 de convívio intenso, especialização todo sábado. E tem mais… mas preciso te dizer que estou em processo de mudança!! Querendo dar conta de meus desejos paralelos ao trabalho formal: projetos culturais, artesanais, espirituais, acadêmicos…. e até pra dá uma nova cara a meu lar! Babado! Obrigada por compartilhar com a gente sua vida que vive! É um sopro no meu rosto dizendo que eu também vou conseguir! Um SALVE pra ti!!!! Um salve pra nós, mulheres reais!

  7. Seu texto é maravilhoso. Essas cobranças acabam com o sossego mental. Mas, sendo bem sincera, suas fotos da casa “bagunçada” são maravilhosas. Sua casa é de muito mais bom gosto que catálogo da Tok Stok, e, melhor ainda, tem muita vida nessa bagunça. E não é isso que importa?

  8. Ana, obrigada. Rs. Muito bom ver que não somos únicas e estranhas nesse mundo. Sofria e ainda sofro do mesmo mal que você…essa mania de querer dar conta e passar mal por não dar conta da casa. Várias brigas com o marido, que divide as tarefas de casa comigo, mas não via necessidade de passar pano as 23h pra tirar o cheiro do jantar… que muitas vezes era nosso momento de estar mais junto…eu não conseguia aproveitar nada pois estava preocupada com a louça ou o cheiro da fumaça nas roupas do varal… enfim, sei que você me entende. Quantas vezes me vi mais preocupada com a casa e sua limpeza do que comigo mesma. Amo pintar as unhas … Quantas vezes fiquei sem pitar por meses pq iria estragar tudo manchas da panela ou de uma roupa.
    Acho que não me curei … é um processo. Mas hoje, assim como você, consigo deixar pra amanhã e relaxar … mesmo que seja pra segunda dar a louca e querer jogar água e sabão por toda casa. As manchas das panelas podem ficar lá um pouco mais… ?

  9. Amei o texto!! Temos mesmo que saber o que é prioridade..a casa sempre vai ter coisa pra fazer…mas a nossa saúde, nossa vida, nossa mente precisam ser cuidados..

  10. Parabéns pelo post; estou passando por isso depois que o meu Pai faleceu e estou muito triste já que a minha mãe vive falando que eu sou ‘neurótica’ por limpeza como ele…
    Estou me esforçando para voltar a ser uma pessoa q sempre teve tido muito organizado.
    Abraço e vamos sai dessa!

  11. Oi Ana, tudo bem?
    Leio seu blog faz algum tempo e tenho acompanhado algumas mudanças por aqui.
    Em uma de minhas visitas no site, me deparei com um criado mudo com detalhes em xilogravura, em detalhes de pássaros. Lembra desse móvel?
    Pois bem, não o acho mais disponível por aqui…Como faço para comprá-lo?
    Gostaria que me ajudasse…moro em Recife e se já não tiver mais dele disponível por aqui, gostaria de saber onde posso encontrar.

    Espero poder contar com vc 🙂
    Obrigada!

    • Cris,

      Pretendemos voltar a vendê-lo, mas ainda não temos previsão.
      Como era feito na nossa própria oficina, não tenho como te indicar alguém que faça, mas vou guardar teu contato e assim que voltarmos falo contigo, tá?

      Xero

      • Opa! Obrigada! Encherei meu coração de esperança de um dia poder vê-lo por aqui de novo. 🙂

        By the way, essa sua prateleira em losango aí é puro amor tb.

  12. Ótimo post, Ana. Eu nunca fui muito neurótica com o cuidado da casa mas, às vezes, me pego brigando com meu namorido por uma besteira como uma mochila perdida no sofá da sala… e depois vejo o quanto isso é bobo, já que ele me ajuda DEMAIS!
    Mas esse texto me tocou mesmo por conta da minha mãe. Identifiquei ela muito nas tuas palavras, ela é o tipo de pessoa que já teve infinitos episódios de labirintite por conta de faxinas e arrumações e sempre tentei falar pra ela relaxar, que tudo vai ficar bem se a roupa acumular e se os vidros não estiverem limpos mas ela tem muita dificuldade com isso, infelizmente.

    Ótimo texto!
    Beijos.

    BLOG COISA E TAL

Deixe uma resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here