A casa que ela tanto quer…

Quando resolvi fazer esse blog estava grávida e foi de supetão: acordei, comecei a passear por outros blogs de decoração e poft “Quero o meu”. Mas que nome colocar????

Cabeça de grávida é um troço que se move por emoções, aliás, depois que a gente é mãe, fica difícil pensar racionalmente como antes, e eu não conseguia achar um nome bacana, moderno, que chamasse atenção…Deitada na cama de barrigão pra cima, comecei a pensar na história da minha vó, porque a lembrança mais viva que tenho na minha cabeça, é a velhinha falando das histórias da sua vida, tão movida a amor, a maternidade e aos seus desejos tão simples.

Um deles: Ter a sua casa arrumada. Casa arrumada pra D. Edite, não significava muito além do que já tinha e quando penso nessa história lembro de outra: Ela diz que certo dia meu avô chegou em casa e pediu pra que ela e os filhos desligassem a tv que meu pai tinha acabado de comprar, ele queria dormir. Todos ficaram sem entender a ordem e meu pai enfrentou o coronel do exército durão que tinha acabado de repetir, que se a tv não fosse desligada, ele a quebraria no chão.  As palavras da minha vó naquele momento “Vamos lá pra calçada conversar filho, deixa isso pra lá” e pronto.

Mas meu avô também era um cara legal, dessa última vez que fui na terrinha, perguntei pra D.Edite sobre a história de ter uma casa arrumada e começamos a conversar. Claro que ela ainda reclamou do marido mas disse:  Ele chegava do trabalho e dizia “Troque sua roupa que vamos ao cinema”. E eu sei e todo mundo que conhece ela sabe, que ele foi seu grande e único amor.Depois de um tempo, eles se separaram mas sempre foram bons amigos e meu avô sempre foi presente em nossas vidas até falecer em 1994.

D. Edite continuou  morando com uma outra irmã que nunca casou e na mesma casa de sempre. Daí a família decidiu que elas teriam que morar em um apartamento perto da minha tia, para que pudessem ter mais assistência a atenção diária e elas se mudaram. Foi quando também fui morar com as velhinhas e vivi um bom tempo lá, anos e anos até conhecer o Leo e sair de casa pra morar com ele.

Esse ap que ela vivia atualmente é alugado. “Vivia” porque depois de tantos anos, o proprietário resolveu pedir de volta. Dentro do mesmo condomínio não tem mais nenhum apartamento disponível. Daí me bate uma tristezinha por saber que o nome desse blog nunca fez tanto sentido e por minhas meninas (Vovó e Mila) terem que enfrentar todo esse incômodo numa fase da vida que deveriam descansar sem grandes “aperreios”. Mas o risco existia, o proprietário não quer saber de acordo e pra evitar maiores estresses, que seja assim.

Elas agora estão indo pra casa da minha tia e a família segue buscando uma nova morada. Como já estão muito dependentes de cuidados, não podem voltar pra casa onde viveram mais de quarenta anos, por ser muito distante de todos.

…E então Vovó, sei que apesar de todas os seus disfarces em nos mostrar que tá tudo bem e que você não se abala com tudo isso, sei que apesar de você  fingir que nada disso tá acontecendo e que a vida segue (essa delícia de vida que você ainda quer vivê-la por muitos anos, porque você não é velha não é? haha) tem uma menina aí que só quer uma casa arrumada, e sinto muita vontade de te pegar no colo e trazer pra perto de mim.

Coração tá apertado mas sei que tudo se resolverá da melhor forma. Conto pra vocês o resultado.

E vamos lá, esse blog continua movido por boas ideias, um tico de emoção e totalmente inspirado e dedicado a ela.


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É a neta de D. Edite. Ana comanda o #ACQMVQ e vive diariamente decorando aqui e ali. Trabalha home office produzindo conteúdo para o blog e outras empresas das internetes. É mãe de dois pioios lindos, ama comer, desaguar nas palavras, e não dispensa uma caipirinha no fim de semana. Sabe que ser livre também é perder o controle, que morar é mais do que habitar e que um abraço apertado é melhor que banheira de ofurô.
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23 Comentários

  1. Oi Ana!
    Eu não tenho a menor dúvida que as coisas vão se ajeitar da melhor forma.
    A minha avó passou por uma situação parecida, já velhinha, e o resultado foi melhor do que todos nós esperávamos, ela gostou muito mais da casa nova!
    Beijinhos!

  2. Tadinha Ana… =(
    Mas casa nova traz energia nova e alegria de deixar do jeitinho “que sua vó queria” … que Deus abençoe td a família e essa busca…
    bj 😀

  3. Olá Ana

    Me emocionei com o seu relato. Muito lindo saber que vc tem um apreço enorme pela sua vozinha. O blog é lindo amo ler e saber que a pessoa que escreve é uma fofa… Bjusss.

  4. Ai Ana eu vi minha Avo passar por isso!!!!
    Ter lugar do jeito que queria e de repente tudo virou de pernas pro ar e ela fingindo que tava tudo bem. A minha já foi pro ceu, mas beije a sua e diga que em algum lugar desse imenso Brasil tem alguem torcendo pra que ela tenha acasa que ela tanto queria.Um beijo da Eliane.

  5. Lembro que qdo me aventurei na reforma de minha casinha, foi no seu blog onde encontrei mais inspiração. Então, devo agradecer primeiro a D. Edite, né? A vó de todas as leitoras desse blog lindo e dedicado a ela.
    Força e saúde para D. Edite e um grande beijo pra vc!

  6. Nossa, que coisa linda!
    Eu sigo seu blog há muito tempo já, e com a correria do dia-a-dia, vejo, admiro mas nunca comentei!!!! Hoje chegou o dia!
    Não só deixo meu comentário, como tb deixo minha admiração pelo seu blog (uma das minhas maiores inspiradoras)!
    O meu blog ainda é bebê, mas espero chegar lá! Com fontes inspiradoras como o seu…sigo confiante!
    E o nome do seu blog pode não ter um sentido literal, mas é sim uma grande homenagem pra essa mulher que é tão importante a vc! Tudo vai se ajeitar sim!!! Tô aqui torcendo!

    Ufa! Tá vendo pq nunca comento, quando começo… Rs!

    Beijos, Paulinha (www.correioelegantepravoce.blogspot.com)

  7. Lindo depoimento Ana!
    Sei que no momento seu coração deve estar apertado por sua avó, mas confie em Deus!
    No fim tudo se ajeita, e que seja feita a vontade Dele, que sempre é a melhor! =)
    Bjs

  8. Ruim né, essas mudanças no fim da vida. Passei por algo semelhante nesse fim de semana. Tenho uns tios-avô(dois irmãos solteiros) que tiveram que mudar da casa onde viveram por 30 anos, pq um deles está doente e precisa de mais cuidados, esse fim de semana fomos visitá -los em seu novo lar…a casa de uma prima. mas é difícil essa coisa de adaptação…penso…como que a gente muda de um lugar q viveu 30 anos e não sinta saudades?

  9. Hum… e assim se faz a vida!
    E, q bom termos essas lindas protagonistas, nossas ancestrais, não é?!
    Q o prumo chegue e sua vó possa ter seu “cantinho”, do jeito q ela queria!
    Venha nos contar!
    Beijos!

  10. Oi Ana!

    Eu já devo ter te contado que acompanho o “avó queria” desde do início né? E o motivo mais inspirador foi esta ligação entre vc e sua avó, coisa que eu tinha com a minha e curti muito.

    Aqui no minha distância, eu só posso desejar sorte para elas.

    E pelo que vc descreveu, sua avó tem uma coisa forte, chamada Resislência e isso é muito bom. Facilita as coisas, faz com que ela não se abale tanto.

    Um beijo para vcs

  11. Espero que elas se adaptem, que sejam felizes. Achei triste, porque a velhice tem uma parcela de tristeza, uma parcela de perdas que não inerentes a condição de aumento da idade e diminuição da autonomia.
    Torço para que as meninas sejam fortes.
    beijos.

  12. Ana, Estou chorando compulsivamente com a história da sua vózinha…
    Primeiro, pela forma linda como você conto; segundo pelo significado, e por último, pelo que ela está passando numa fase que, como você mesma disse, era para ela estar assentadinha, acomodadinha na casinha dela…
    Vou torcer para dar tudo certo, e ela ter a casinha dos sonhos, mesmo que seja no entardecer da vida, mas que seja a realização dela.
    Beijos mill, a Boneca de Pano

  13. Ana,
    Ë muito dificil mesmo!desculpa a se estou sendo invasiva,mas e se ela vendesse a casa distante que ela tem? assim poderia comprar outra com essa venda. Ai,desculpa,mas foi uma solução que me ocorreu!
    Bjs

  14. Bom, venho aqui já há algum tempo e nao sei se já comentei,acredito que nao, mas neste post, beeem, vc me pegou em cheio. Falou em vó, mexeu com tudo dentro de mim. Com tudo mesmo! Chorei também um tico, como vc diz. Que sorte a sua ainda ter uma vozinha pra chamar de sua. Um blog dedicado a ela, que coisa meiga!
    Espero que tudo dê certo,puxa, espero mesmo que ela encontre um lugarzinho bem gostoso pra ela ter a casa como sempre quis.

  15. Ana, me identifico muito quando vejo você falando da sua vó….eu também tenho uma relação assim especial com a minha “véinha” e a “minha”, também é assim de fingir que está tudo bem, quando na verdade a casa tá caindo…admiro muito isso!Vou ficar aqui torcendo para que tudo se resolva da melhor maneira e o mais rápido possível para D. Edite, que já é um pouco vó de todo mundo que segue teu blog!
    bjos
    Mônica

  16. Oi Ana!!
    Não teve como não me emocionar com toda essa história!! Estou aqui na torcida pra que tudo dê certo pra sua Vovó, que ela consiga a “Casa que tanto quer” ou pelo menos um cantinho pra chamar de seu, né?!?!? Amo seu blog, entro todo dia pra ver as novis!!! Beijos,
    Mayra

  17. Oi Ana,
    Me emocionei com essa historinha.. Como é bom ter uma avó por perto ainda! A minha avó paterna (com quem tinha contato direto, pois ela morou comigo nos últimos anos de sua vida) já se foi há 5 anos e sinto muita falta dela, dos quitutes maravilhosos, das conversas, mas principalmente dos seus ensinamentos… Aproveite a sua vózinha ao máximo, suge tudo de bom que ela ainda tem a te oferecer, porque com certeza depois que ela se for, ficarão só as lembranças boas! Tenho certeza que com todo esse teu carinho por ela, vai dar tudo certo!!! Estou aqui na torcida! Que Deus abençoe vocês!
    Beijo grande!
    Aniele

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